O INSTANTE DO TOQUE

FELÍCITY_POETA


Na carne crua o fogo arde,
a boca busca o teu sabor,
neste segredo desta tarde,
ferve o desejo e o calor.
Quero teu corpo bem colado,
no ritmo quente que seduz,
no meu abraço apertado,
a pele que queima e traduz.
O som do suspiro na sala,
a língua solta e sem temor,
a carne que morde e que fala,
no gozo profundo e no ardor.
Toca no fundo da alma,
perco o juízo e a razão,
morre na pressa a calma,
bate na boca o coração.
A noite avança na curva,
do peito nu que vem tremer,
na nossa dança que turva,
o medo de tanto querer.
Boca na boca mordida,
o suor escorre na cruz,
desta paixão consumida,
na chama que brilha e conduz.
Desço a mão firme e pesada,
no monte sagrado e secreto,
a carne crua e manchada,
do nosso pecado indiscreto.
Arfa o peito na ânsia,
do toque feroz e profundo,
longe de toda a distância,
perto do fim deste mundo.
Geme baixinho no ouvido,
o som do prazer que incendeia,
tudo o que foi prometido,
corre no sangue da veia.
Resta o calor na caminha,
da pele colada e suada,
tu és no mundo a rainha,
da carne que foi devorada.