Amarro teus cadarços aos meus
Retenho-Te junto a mim
Meus dedos frágeis temem carecer de força para Te reter
Oculto as chaves que Te pertencem, para que não partas
Repouso a cabeça em Teu peito
Aferro-me às Tuas vestes
Quem poderia apartar-me de Ti?
Se não eu mesma, quem ousaria fazê-lo?
Cubro os espelhos para que não Te vejam,
zelosa, até o ciúme, da Tua presença
Estalo os pés contra o chão, pranteio, suplico e me desfaço,
receosa de Teu silêncio
O coração mais rejeitado,
o mais humilhado,
injustiçado, condenado ao Calvário,
prometeu que jamais me deixaria
Ainda assim, cubro-me para que não vejas minha nudez,
temendo que, ao sondares o que em mim se oculta,
voltes de mim o Teu rosto
Desde o princípio, escondo-me entre as árvores,
envergonhada daquilo que jamais Te foi oculto
Volto à casa dos espelhos encobertos
Nunca saíste de lá
Ergui muralhas para obstar à Tua partida,
cega à deserção que eu mesma perpetrava
Não há outro artífice do meu declínio
senão eu mesma
E, contudo,
quem afinal poderia separar-me do Teu amor?
Retorno ao Teu peito
Aferro-me a Ti uma vez mais
Não me interrogas acerca das chaves escondidas,
nem me pedes contas das muralhas que ergui
Depositas um beijo no alto da minha cabeça
Espera-me em casa
E, acaso eu ouse partir outra vez,
suplico-Te:
resgata-me do lodo da incredulidade
Purifica-me da febre peçonhenta do meu orgulho,
que desconfiou de Ti,
inebriado pela tolice de confiar em mim
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Autor:
felicity for now (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 30 de outubro de 2026 09:32
- Categoria: Religioso
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Michel F.M.

Offline)
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