Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis

Michel F.M.


Estava a pensar algo
Que não importa,
-
Passando a me importar
Com o que nunca pensei.
-
Materializando em cores vivas,
Letras palavreadas invisíveis.
-
Inauguro neste instante,
Iluminado e supersônico:
-
O Improvável Florilégio
Das Aventuras Impossíveis.
-
[Michel F.M.]


Cresce em nós mais que vida
Cresce dores de despedida
Ciclos terminam ao ter inicio
Como ossos em ofício
Palavras de ordem surge
Bichos horrendos ruge
Onde se torna gente
O animal vivente
Cada grupo é representante exibido
Do reino que lhe é atribuído
Conforme ler, se entende
Cabível interpretação independe
Contexto define significados
Para os pensamentos acelerados


Estava pensando em nada
ou em algo que não sei
dessas coisas que nos passam
sem saber por onde andei
Era um quase, era um talvez
era um sonho sem lugar
uma ideia pequenina
com vontade de ficar
E o que antes não importava
sem motivo aparente
foi tomando os meus espaços
respirando lentamente
Passei a notar as cores
que eu julgava não haver
as palavras escondidas
que eu não sabia dizer
Havia flores no silêncio
havia estrelas no chão
havia um mundi inteiro
adormecido em minhas mãos
E eu, que nada procurava
vi-me à procura de tudo
fui perdendo as minhas certezas
para escutar melhor o mundo
Foi então que compreendi
tem mistérios que, de longe
parecem não existir
mas florescem quando a gente
deixa de os perseguir
Há encontros que não chegam
mas transformam o esperar
há destinos que começam
quando paramos de andar
Há palavras que não nascem
para serem pronunciadas
mas permanecem na alma
como cartas não enviadas
E há sentimentos tão vastos
tão avessos à razão
que, se tentamos explicá-los
nos perdemos na imensidão
Penso, logo escrevo...
Não porque saiba o caminho
nem porque alcance o fim
mas porque há coisas no mundo
que so despertam em mim
quando encontro, entre palavras
um lugarzinho para exisir
E se aquilo que era pouco
se tornou imensidão
takvez nunca tenha sido pouco
era apenas uma estação de algo
que ainda não tinha encontrado a floração
Hoje inauguro o instante
em que o improvável acontece
quando o que não tinha nome
ganha voz, forma e prece
Não sei se será eterno
nem se alguém compreenderá
há jardins que só florescem
onde ninguém os verá
Mas o que importa a eternidade
a uma flor que quer nascer?
Que importa o mundo inteiro
se há um mundo por conhecer?
E assim sigo, sem promessas
sem saber onde vou chegar
cultivando o que não existe
até que possa brotar
Pois descobri, por acaso
na improvável condição
de quem pensa estar vazio
e transborda de invenção
que o impossível, às vezes
é somente aquilo que ainda
não soube se expressar...
- H.B. BATISTA


JÁ PENSEI MUITO NO IMPOSSIVEL
E PERCEBI QUE ELE SÓ EXISTE NA MINHA CABEÇA
VOU TROCAR MEU FUSIVEL
ANTES QUE OUTRO MONSTRO APAREÇA


Clara chegou
e começou a chorar
Clara chegou
e começou a gritar
Clara me arranhou
Clara me bateu
Clara me matou
De amor
De raiva
De loucura
Como massa
Nos uninos
Juntos choramos
Pela eternidade
Em lágrimas nos desfizemos
Nos derretemos no chão
Desaparecemos no amor-mar
Só restou prazer
Água escorrendo pelo chão
Córrego que correu
Para oceano
Sumiu nas ondas
(Davi Jardim)


No Florilégio da vida
A melhor poesia
Somando dia a dia
Deixamos se assim for
dados de pureza e amor
Se não
Os embaraços virão
cultivemos a paciência
pois esse é um grande
Galardão...
(Neiva Dirceu)


Eu queria estar em um lugar que desconheço
Com pessoas extraordinárias desconhecidas
Megulhado em idéias ainda não pensadas
Proferindo versos sem vinculos
contemplando uma paisagem nunca pintada.


Ha provas que aventuras,
quando plantadas,
tornam-se florestas.
(Tom Kalado)


Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis
Coleciono pétalas de instantes que não vivi,
Caminhos desenhados no mapa que esqueci.
No jardim do nunca, onde o tempo é detalhe,
Deixo que a fantasia no peito batalhe.
***
Floresce um salto duplo sobre o abismo do mar,
Um voo sem asas para quem não sabe planar.
Há um botão de rosa nascido no chão da Lua,
E uma nau de ferro que navega em plena rua.
***
Cada aventura impossível ganha sua cor,
Um buquê de audácia, de espanto e de vigor.
Onde a lógica dita o fim da caminhada,
A colheita do absurdo apenas começou.
***
Raras mudas de histórias que a mente inventou:
O florilégio do que a realidade vetou,
Mas que a alma, atrevida, inteira viveu.
Vilma Oliveira