Matheus

Da Silva Guilherme

Poema algum irá explodir 

As feridas de modo que sarem.

Eu precisei também me ir

Procurar no álcool as margens. 

Gastei mais do que o senhor. 

Muitos anos se passaram.

O amor foi um pássaro que cantaram 

Baixinho para que voasse amor.

 

Afundei-me numa tristeza que só 

A felicidade um dia sentiu. 

Matheus, quando você mentiu,

Quando também sumiu, 

E quando por fim partiu,

Formou-se no pescoço de minh’alma um nó, 

E pensei ter me matado em planos

Mundanos.

 

Hoje, já depois de tantos anos, 

A tragédia só me é puro engano; 

Nem de teu beijo me lembro, 

E do que me lembro, é só um membro 

Da parte mais inútil e amputada da alma. 

Que de tão ruim e tão fútil, 

Não sinto falta.

Matheus, o nó que se formou em meu pescoço

Era um barbante do menos grosso. 

A vida segue, e assim o adeus. 

Que nada te falte, exceto eu.

  • Autor: Da Silva Guilherme (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de outubro de 2026 23:42
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 3


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