Poema algum irá explodir
As feridas de modo que sarem.
Eu precisei também me ir
Procurar no álcool as margens.
Gastei mais do que o senhor.
Muitos anos se passaram.
O amor foi um pássaro que cantaram
Baixinho para que voasse amor.
Afundei-me numa tristeza que só
A felicidade um dia sentiu.
Matheus, quando você mentiu,
Quando também sumiu,
E quando por fim partiu,
Formou-se no pescoço de minh’alma um nó,
E pensei ter me matado em planos
Mundanos.
Hoje, já depois de tantos anos,
A tragédia só me é puro engano;
Nem de teu beijo me lembro,
E do que me lembro, é só um membro
Da parte mais inútil e amputada da alma.
Que de tão ruim e tão fútil,
Não sinto falta.
Matheus, o nó que se formou em meu pescoço
Era um barbante do menos grosso.
A vida segue, e assim o adeus.
Que nada te falte, exceto eu.