Na escuridão,
alguma consciência trabalha.
Não pensa — mastiga.
Os pensamentos cruzam o fundo,
lentos,
seres sem olhos roendo
o próprio rumo.
Eu julgava estar vazio.
Era só o inferno fazendo hora
para o horror terminar de se instalar.
Agora sei:
o eu não é real,
é resto acumulado
depois do esforço.
Sob a pele,
sombras se articulam
com a paciência
de quem não precisa vencer.
Não temos medo.
Somos o sangue que as mantém.
E esta nova lucidez —
que surpresa —
não abre nenhuma porta:
apenas mostra quem,
no escuro,
já escolheu por nós
quando cessar.
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Autor:
Becca (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de outubro de 2026 16:07
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Rebecca, Morlock, BellaSeiva, Michel F.M., Ayalah Verônica Berg

Offline)
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