VINTE E QUATRO HORAS

Ayalah Verônica Berg

 

Estou sem corda.
A esperança...
apenas culpa educada.
 
Toda vontade é falta
com bons modos.
 
No aquário da consciência,
um peixe lúcido
finge não pensar.
 
O horror chega sem disfarce.
Vejo.
Isso não me absolve:
torna-me exata.
 
Sei onde a virtude se inclina.
Não empurro.
Aprecio.
 
O silêncio é o ruído
de um bêbado bem-vestido.
 
No amor respiro depressa,
minto devagar.
O pensamento não diminui:
ganha força.
 
No fundo da queda,
levanto.
 
A esperança é açúcar que mela.
O futuro é um credor
que assusta.
 
Raízes fundas não temem o vento.
Temem a calma.
 
Meu anjo enfia a chave em mim.
E me dá esperança
por mais vinte e quatro horas.
 
 
Vinte e Quatro Horas 
 de Ayalah Verônica Berg 

 



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