Estou sem corda.
A esperança...
apenas culpa educada.
Toda vontade é falta
com bons modos.
No aquário da consciência,
um peixe lúcido
finge não pensar.
O horror chega sem disfarce.
Vejo.
Isso não me absolve:
torna-me exata.
Sei onde a virtude se inclina.
Não empurro.
Aprecio.
O silêncio é o ruído
de um bêbado bem-vestido.
No amor respiro depressa,
minto devagar.
O pensamento não diminui:
ganha força.
No fundo da queda,
levanto.
A esperança é açúcar que mela.
O futuro é um credor
que assusta.
Raízes fundas não temem o vento.
Temem a calma.
Meu anjo enfia a chave em mim.
E me dá esperança
por mais vinte e quatro horas.
Vinte e Quatro Horas
de Ayalah Verônica Berg