Amar, simplesmente amar.
Sem que o amor se justifique, sem que produza alguma coisa, sem que sirva para preencher o espaço ridículo entre duas pessoas.
Amar aqui, onde o café esfria, o elevador demora e alguém vai embora sem terminar a frase.
Amar além, se houver além, se o além não for apenas esta vontade absurda de que alguma coisa permaneça.
Amar sem ter razão. Eis o problema.
O mundo exige documentos, provas, garantias, uma assinatura reconhecida em cartório para que dois corações possam trabalhar em paz.
Eu, não.
Quero amar como quem abre a janela sem saber se há primavera. Como quem escreve uma carta e não pergunta o endereço. Como quem, diante da morte, ainda acha necessário regar as plantas.
Amar aqui. Amar depois. Amar o que não me quer, o que não me entende, o que sequer desconfia de que existe.
E se Deus perguntar para quê, se o tempo cobrar resultados, se a vida, essa síndica severa, vier reclamar do desperdício, direi apenas:
amei.
Não fiz disso um destino, não construí monumentos, não salvei ninguém.
Mas, por um instante, entre o absurdo de nascer e o absurdo de desaparecer, houve em mim uma coisa sem utilidade e absolutamente necessária.
Amor.
E não sei se isso basta.
Mas também não sei o que mais poderia bastar.
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Autor:
Kauane de Moraes (
Offline) - Publicado: 28 de outubro de 2026 13:44
- Categoria: Amor
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