Na gaveta ainda os talheres
Que minha mãe guardava com zelo
Um relógio velho quebrado
Desdentado de ponteiros
Ou do tique-taque que mastiga o tempo
E um botão que não sei
De que camisa caiu
Que corpo abandonou
Ou a mão que o abotoou pela última vez
Tudo isso foi o que restou
Da herança que os mortos me legaram
Assim como no fundo daquela caixa
Há a chave da casa que nunca construí
E com ela passo as noites experimentando fechaduras
e talvez seja apenas na última madrugada que ela se abra
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Autor:
joaquim cesario de mello (
Offline) - Publicado: 27 de outubro de 2026 07:18
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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