ABRACADABRA

Ayalah Verônica Berg

 

Muda cena.
O tempo sempre atrasado.
Não vale troca de pele.
 
Vemos o mesmo.
Pensamos o resto.
Desviamos.
 
Mentira pesada:
o carro anda.
O combustível confere.
 
Giro.
O mundo gira
fora de órbita
e não aprende.
 
Mando.
Sou mandada
pelo que não escolhi.
Escolho.
Não explico.
 
Três da manhã.
A geladeira profetiza.
Não decifro.
Escuto o ruído:
ser — sou.
 
Tudo termina mal.
Com estilo.
Sem começo.
Ensaio.
 
Guardo uma moeda sem uso.
Não digo.
 
A queda tem destino.
O ar aprende.
A lucidez me acompanha.
Vou.
 
A noite cai devagar.
A beleza escura
fica leve.
 
Amanhã:
mentira inútil.
Sorrio.
Não preciso.
 
 
Abracadabra 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de outubro de 2026 11:48
  • Comentário do autor sobre o poema: "Se você não consegue considerar que pode ser parasita, então você pode realmente ser parasita." –Verônica Berg
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 12
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Rogério, Pacificador


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