A taça de prata

Fábio Marinho

Artista, meu artista, me elabora,

Decora-me no dom da tua arte,

Não deixes no vazio nenhuma parte.

Te peço: graves a mulher que chora,

As flores, primavera e mesmo amoras,

E as flechas do cupido, não descartes...

 

Me moldes c’o martelo, a prata é viva,

E fina, brilha a luz dos ornamentos;

Te imploro que me ostentes nos eventos,

Na prata da bandeja que convida.

Mas lembres, grava no meu seio, ainda,

Segredos e receitas dos unguentos.

 

Nas cerimônias, pra exibir o vinho,

Me graves Baco, tão gracioso Deus;

Entalhes, junto à força e à luz de Zeus,

E pintes d’ouro, os passos, seus caminhos;

Desenhos de Afrodite ao leito, ao ninho,

Esculpas, c’oa beleza e encantos seus.

 

Por fim, decores Deus Apolo e a lira,

Dançando ao bosque a versejar seu canto,

Que assim, a lágrima do vinho, o pranto,

Me escorre n’alma, por paredes lisas,

Pois para aqueles que amam a bebida,

Ao me beijarem, morrerão de encantos.

  • Autor: Fábio Marinho (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de outubro de 2026 10:48
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.