Artista, meu artista, me elabora,
Decora-me no dom da tua arte,
Não deixes no vazio nenhuma parte.
Te peço: graves a mulher que chora,
As flores, primavera e mesmo amoras,
E as flechas do cupido, não descartes...
Me moldes c’o martelo, a prata é viva,
E fina, brilha a luz dos ornamentos;
Te imploro que me ostentes nos eventos,
Na prata da bandeja que convida.
Mas lembres, grava no meu seio, ainda,
Segredos e receitas dos unguentos.
Nas cerimônias, pra exibir o vinho,
Me graves Baco, tão gracioso Deus;
Entalhes, junto à força e à luz de Zeus,
E pintes d’ouro, os passos, seus caminhos;
Desenhos de Afrodite ao leito, ao ninho,
Esculpas, c’oa beleza e encantos seus.
Por fim, decores Deus Apolo e a lira,
Dançando ao bosque a versejar seu canto,
Que assim, a lágrima do vinho, o pranto,
Me escorre n’alma, por paredes lisas,
Pois para aqueles que amam a bebida,
Ao me beijarem, morrerão de encantos.