Antes da guerra, comíamos e bebíamos,
sem saber que, mais que a fome,
morta seria a vida.
O tempo passa.
Vem a digestão,
como carne revestida,
escondida,
de força disforme
que agora ninguém pode compreender.
O corpo pesa.
Chega a desordem
e desfaz as vigas do peito;
como canção trêmula, medrosa,
vinda do eu sozinho
que foge da própria sombra
e a chama de realidade.
Já não há como se levantar.
O devorador se sacia da podre ampulheta
estilhaçada no chão.
Não há mentira
que engane o seu paladar.
— No fim, leva-se a verdade
em morte perfeita.
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Autor:
Ebelac (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 20 de outubro de 2026 23:38
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1

Offline)
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