Ebelac

Casus Belli


Antes da guerra, comíamos e bebíamos,
sem saber que, mais que a fome,
morta seria a vida.

 

O tempo passa.

Vem a digestão,
como carne revestida,
escondida,
de força disforme
que agora ninguém pode compreender.

 

O corpo pesa.

 

Chega a desordem
e desfaz as vigas do peito;
como canção trêmula, medrosa,
vinda do eu sozinho
que foge da própria sombra
e a chama de realidade.

 

Já não há como se levantar.

 

O devorador se sacia da podre ampulheta
estilhaçada no chão.
Não há mentira
que engane o seu paladar.

 

— No fim, leva-se a verdade
em morte perfeita.