Cilada em conto: O nômade, a fada e o poço.

GabrielMaria

 Cilada em conto: O nômade, a fada e o poço

 

Moeda de ouro jogada a uma fonte iluminada

Fique à espera... um elfinho encantado aparece à janela;

- Queres desejos consentidos ou eu minto? 

-  O que que tu queres comigo, meu amigo?!

Sorriso entreaberto moldado a um olhar brilhante

Que astúcia precipitava em sua estante?

 

E assim vivia sua vida, de montante em montante

Enganando a todos com seus passos errantes

A cada moeda jogada em sua fonte, era um choro de um amante; um passante;

Quantas pessoas mais ele passaria adiante? 

 

-Ora, ora, se não é uma moça elegante? [Elfo]

-O que pretende comigo? Sortilégios? amantes? [Elfo]

Mal ele sabia que a moça só desejava não ser contida, estava ali por um instante

Nunca foi a moeda, ela era o seu diamante 

Mais uma bela menina para cair em suas mentiras, em sua vida nômade.

 

Às escondidas, tomou para si mais uma vida, uma alma pura e perdida

Sem saber de sua fuga, sua amiga: A lua

Aparece em mais uma disputa, pedindo o encerramento desta astúcia.

 

Seus feitos sempre foram perfeitos, nunca houve erros

- O que causaria pestanejos? [Elfo]

O senhor do destino pegou em seu peito:

- Dirias que tu não tem mais jeito! Será que não entendes teus feitos? [Senhor do destino]

- Seu castigo tu mesmo atirou em teu peito! [Senhor do destino]

 

Abalado e sem jeito, ao entender um simples olhar de despejo 

A lua mingou, sem beijos e desejos 

- Seu amor aí está! atirada em seu peito! Não vês? Seu presente foi seu leito! Enquanto apenas queria encontrar seu par perfeito...

 

A amargura que carregava, só podia sarar com a chegada de um par

Alguém a mudar aquele destino ímpar.

 

Concedia os anseios e depois os arrancava com suas perspicácias, seus medos

Queria alguém consigo, sem a solidão e os castigos, inerentes de suas travessuras e perigos.

 

As moedas - a qual catava ou ganhava - jogava em seu poço à meia-noite ao senhor do destino

Sempre no mesmo local, em sua praça, quando a lua aparecia

A mesma chegava recitando sua poesia favorita. Cantava:

- Atentai-vos ao tempo, à chegada de uma fada, seus pedidos que tanto pediu, aparecerá de madrugada

 Mude seu destino, ou cairá em uma cilada...   [Cantava a fada, sua amiga lua minguada] 

 

A lua já o recitava, sabia de suas mancadas... quando a hora chegou, não houve dissimuladas

Sua fada madrinha já não mais cantava, somente chorava 

O elfo enquanto não mudava, foi pego de surpresa em suas lábias

O senhor do destino que nada esperava, pôs-se a deitar, entrepondo mais uma salva.

 

Moral da história foi apagada, tome por si mesmo suas tramadas

O Elfo que tanto dissimulava, caiu em suas próprias ciladas

Perdeu quem tanto pedia, deixou para mudar na hora errada

Agora sozinho cantava, sem sua fada a quem dando gritava

Agourava sua caminhada e sempre chorava na estrada à procura de uma nova fada.

 

Autoria: GabrielMaria

 



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.