Cilada em conto: O nômade, a fada e o poço
Moeda de ouro jogada a uma fonte iluminada
Fique à espera... um elfinho encantado aparece à janela;
- Queres desejos consentidos ou eu minto?
- O que que tu queres comigo, meu amigo?!
Sorriso entreaberto moldado a um olhar brilhante
Que astúcia precipitava em sua estante?
E assim vivia sua vida, de montante em montante
Enganando a todos com seus passos errantes
A cada moeda jogada em sua fonte, era um choro de um amante; um passante;
Quantas pessoas mais ele passaria adiante?
-Ora, ora, se não é uma moça elegante? [Elfo]
-O que pretende comigo? Sortilégios? amantes? [Elfo]
Mal ele sabia que a moça só desejava não ser contida, estava ali por um instante
Nunca foi a moeda, ela era o seu diamante
Mais uma bela menina para cair em suas mentiras, em sua vida nômade.
Às escondidas, tomou para si mais uma vida, uma alma pura e perdida
Sem saber de sua fuga, sua amiga: A lua
Aparece em mais uma disputa, pedindo o encerramento desta astúcia.
Seus feitos sempre foram perfeitos, nunca houve erros
- O que causaria pestanejos? [Elfo]
O senhor do destino pegou em seu peito:
- Dirias que tu não tem mais jeito! Será que não entendes teus feitos? [Senhor do destino]
- Seu castigo tu mesmo atirou em teu peito! [Senhor do destino]
Abalado e sem jeito, ao entender um simples olhar de despejo
A lua mingou, sem beijos e desejos
- Seu amor aí está! atirada em seu peito! Não vês? Seu presente foi seu leito! Enquanto apenas queria encontrar seu par perfeito...
A amargura que carregava, só podia sarar com a chegada de um par
Alguém a mudar aquele destino ímpar.
Concedia os anseios e depois os arrancava com suas perspicácias, seus medos
Queria alguém consigo, sem a solidão e os castigos, inerentes de suas travessuras e perigos.
As moedas - a qual catava ou ganhava - jogava em seu poço à meia-noite ao senhor do destino
Sempre no mesmo local, em sua praça, quando a lua aparecia
A mesma chegava recitando sua poesia favorita. Cantava:
- Atentai-vos ao tempo, à chegada de uma fada, seus pedidos que tanto pediu, aparecerá de madrugada
Mude seu destino, ou cairá em uma cilada... [Cantava a fada, sua amiga lua minguada]
A lua já o recitava, sabia de suas mancadas... quando a hora chegou, não houve dissimuladas
Sua fada madrinha já não mais cantava, somente chorava
O elfo enquanto não mudava, foi pego de surpresa em suas lábias
O senhor do destino que nada esperava, pôs-se a deitar, entrepondo mais uma salva.
Moral da história foi apagada, tome por si mesmo suas tramadas
O Elfo que tanto dissimulava, caiu em suas próprias ciladas
Perdeu quem tanto pedia, deixou para mudar na hora errada
Agora sozinho cantava, sem sua fada a quem dando gritava
Agourava sua caminhada e sempre chorava na estrada à procura de uma nova fada.
Autoria: GabrielMaria