Fogueira

CORASSIS

 Não me peçam modos
diante da fogueira.
O calor consome a pressa;
O contra-ataque se calcula a frio.
Fogo pede ação,
O corpo pede alívio.
Mas o cansaço acumulado
congelou o sangue em indiferença:
Não há ódio no meu peito,
apenas o espaço vazio da decisão.
Cansei de ser o alvo.
Meu olhar fixo não pisca, não ameaça;
Ele apenas assiste ao oponente.
Desmoronar no próprio medo.
Sirvo o revés com precisão cirúrgica.
O perdão é um bônus particular
que já não cabe nesta mesa.
Minha pele não repete a dor.
O amor é lança, mas escolho a espada:
O gume que separa o antes do depois.
Não me obriguem a gastar o sopro.
Meu silêncio pesa mais do que um grito,
Porque o grito avisa de onde vem o golpe,
Enquanto o silêncio ferve no escuro,
e confunde o inimigo. 

  • Autor: CORASSIS (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de outubro de 2026 21:54
  • Comentário do autor sobre o poema: Trecho do poema mesclado do poeta Michel F.M. (Império da Podridão). Imagem de Karen .t por Pixabay
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
Comentários +

Comentários1

  • Michel F.M.

    Belíssima obra de contestação!!!

    O sistema só vence, até ele ser derrotado.

    Grande Abraço!!



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