Eram dois, sentados. Mesas separadas...
Um, um tanto velho e o outro era poeta!
Ambos a pensar, com vinho em suas taças.
Um lembrava a vida de paixões secretas,
O outro celebrava o mundo e ao céu voava...
Um, enquanto velho, rico de experiências,
Outro em sua lira e o peito de impaciências,
Ambos com histórias, fotos pela estrada.
Já de madrugada, vinho e cumprimentos,
Um convida, um outro senta e a prosa vem!
Mas o velho pensa:” Novo e já bebendo?”
E o poeta, luz de sol, não se contêm...
Ambos brindam sem cuidados com o tempo.
Tosco, o velho xinga a vida e chora a dor
E o poeta, ébrio, sente e canta o amor,
Uma lágrima é a flor, outra é o lamento:
– Olha filho, a vida deve ser pensada!
- Mas por que, se somos alma e coração?
- Não te iludas! Vês as rugas arranhadas?
- Sim! Pra mim lhe são registros de ouro, não?
- Ora, amigo! São paixões sutis, guardadas!
- Mas, então, que desabrochem feito as flores!!
- Não! Abertas, me trarão mais dor, rancores!
- Mas a vida só se finda quando acaba...
Tenso, o velho cala, bebe um gole e acena,
Paga a conta e, cabisbaixo e lento, sai...
O poeta pensa, quieto, pela cena
De repente, sente a angústia e seus sinais,
Pede um vinho, um guardanapo e puxa a pena,
Seca a lágrima que escorre quente e desce,
Olha em volta, se lamenta e, então, escreve:
“Nada vale a pena se a alma for pequena...”
-
Autor:
Fábio Marinho (
Offline) - Publicado: 18 de outubro de 2026 08:04
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
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