Livre

Noétrico

Pele em noite sintética,
tatuada.
Olho carregado de abismo,
cabelo negro, presença lâmina.
— Sou vadia.


A fila recua.
Um permanece.
Grande. Barba. Crocs.
Desenho no peito,
boca aberta para o precipício.


Ela o chama com um dedo.
Ele vem — Ajoelhe-se,
ela diz.


Obedece.
Ela pisa, renega,
atravessa balançando madeixas.


Ele rasteja, em transe:
— Perfeita.

Atrás, todos riem.
Cada qual escondendo
o desejo que os fez fugir.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de outubro de 2026 15:50
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


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