Noétrico

Livre

Pele em noite sintética,
tatuada.
Olho carregado de abismo,
cabelo negro, presença lâmina.
— Sou vadia.


A fila recua.
Um permanece.
Grande. Barba. Crocs.
Desenho no peito,
boca aberta para o precipício.


Ela o chama com um dedo.
Ele vem — Ajoelhe-se,
ela diz.


Obedece.
Ela pisa, renega,
atravessa balançando madeixas.


Ele rasteja, em transe:
— Perfeita.

Atrás, todos riem.
Cada qual escondendo
o desejo que os fez fugir.