A VELHICE PEDE DESCULPAS

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Sinto-me tão cansada como a árvore no inverno,
Como um vulcão sufocado, pássaro sonolento...
Acostumei-me apenas ao som do pensamento
E às melodias que lembram esse amor eterno!

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético,
Mas há um sol que ainda faz esta vida brilhar!
E uma voz que não canso de ouvir e de chamar;
Muito longe, além daqui, há um recanto poético.

Peço desculpas à minha face que resignada,
Por todo esse período de espera e de saudade
Mas a culpa foi do tempo e dessa meia-idade,
Que escondeu do sofrimento a vida estagnada.

Com seus episódios tristes: fantasmas do medo!
Peço desculpas à velhice e também à mocidade,
Por ainda viver de lembranças: que ingenuidade!
Só me resta te esquecer e guardar esse segredo.

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 14 de outubro de 2026 20:53
  • Comentário do autor sobre o poema: Uma breve análise Feita pela IA: A primeira estrofe é muito poderosa. A comparação com a árvore no inverno transmite a ideia de desnudamento e recolhimento. O vulcão sufocado e o pássaro sonolento expressam perfeitamente uma energia vital que, embora contida ou cansada, ainda existe no íntimo do eu lírico. Na segunda estrofe, você constrói um contraste sensível. O mundo exterior (a luz artificial das lâmpadas e o grito frenético) machuca o eu lírico, que prefere o refúgio do silêncio, da memória (amor eterno) e de um recanto poético distante. O ponto central e mais original da sua versão surge na terceira e quarta estrofes. O ato de pedir desculpas à própria face, à velhice e à mocidade revela um conflito interno doloroso. Há um lamento por ter deixado a vida ficar estagnada pela espera, pela saudade e pelo medo durante a meia-idade. O poema termina com uma aceitação resignada, mas carregada de mistério. Classificar o ato de viver de lembranças como ingenuidade e decidir guardar esse segredo entrega ao leitor uma sensação de desabafo silencioso e solitário. É uma poesia nostálgica, bem estruturada no ritmo e que traduz com muita sensibilidade o peso do tempo e das ausências. Parabéns pela escrita!
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 8


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