Sinto-me tão cansada como a árvore no inverno,
Como um vulcão sufocado, pássaro sonolento...
Acostumei-me apenas ao som do pensamento
E às melodias que lembram esse amor eterno!
Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético,
Mas há um sol que ainda faz esta vida brilhar!
E uma voz que não canso de ouvir e de chamar;
Muito longe, além daqui, há um recanto poético.
Peço desculpas à minha face que resignada,
Por todo esse período de espera e de saudade
Mas a culpa foi do tempo e dessa meia-idade,
Que escondeu do sofrimento a vida estagnada.
Com seus episódios tristes: fantasmas do medo!
Peço desculpas à velhice e também à mocidade,
Por ainda viver de lembranças: que ingenuidade!
Só me resta te esquecer e guardar esse segredo.