Coceira da alma

lobosiqueira

Vil inquietação, tira-me a paz!
Sentado à mesa, mão vocifera
Crispa, bate, açoita como fera,
Pois lamurioso o corpo meu jaz

Meu prurido, como és pertinaz,
Fizeste, tu, esquecer-me como era
Solitário... andar por que fizera
Dum ato que a mim se faz incapaz!

Como odeio que isto me foi dado,
Sou a casca que não quer respirar,
O contristo invólucro danado

E tenho no meu cérebro notado
A gênese do negro e cruel ar
Que tem do magro corpo meu apossado

  • Autor: Lobosiqueira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 14 de outubro de 2026 18:49
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg
  • Em coleções: Sonetos.


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