Sinto a névoa me consumindo.
A noiva fantasma da cidade amaldiçoada por bruxas.
O passado é como um noivo obcecado, que me persegue e tenta a todo custo me juntar de novo a ele.
Também sou o amante embriagado na cerimonia, me sinto embriagada com o cálice cheio da bebida alheia, nunca as minhas.
Sinto a imensa vontade do fim, fica quase palpável, como uma fruta que mordemos com gosto e o sabor está ruim.
Sinto meu coração repleto de bichos, que comem o cerne do meu ser, minha vontade.
Essa sou eu, sou a lagarta da fruta mordida dos meus próprios sentimentos.
Sinto a intensidade das emoções como o planeta terra é segurado por uma força gravitacional fortíssima, de todos os lados.
Sinto dores de todos os lados como um condenado da ditadura.
Apesar disso, eis-me aqui lagarta.
Minha possibilidade de transformação é a única coisa que segura minha fome, a fome da vida.
Minha vida é fruta.
E a mordida é a morte.
Porém ainda sim...eis-me aqui, lagarta.
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Autor:
Poetisa_luzz (
Offline) - Publicado: 14 de outubro de 2026 00:07
- Comentário do autor sobre o poema: Sinto uma dificuldade gigante de lidar com minhas dores, sempre puxei as dores dos meus pais e pessoas a quem tenho afeição, tanto que esqueci como lidar com meus próprios problemas. Esse poema é para pessoas como eu, que só querem (e ao mesmo tempo não querem) carregar o peso da própria cruz, é para aqueles que amadurecem rápido em famílias disfuncionais e desejam a vida-morte-vida.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1

Offline)
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