Sinto a névoa me consumindo.
A noiva fantasma da cidade amaldiçoada por bruxas.
O passado é como um noivo obcecado, que me persegue e tenta a todo custo me juntar de novo a ele.
Também sou o amante embriagado na cerimonia, me sinto embriagada com o cálice cheio da bebida alheia, nunca as minhas.
Sinto a imensa vontade do fim, fica quase palpável, como uma fruta que mordemos com gosto e o sabor está ruim.
Sinto meu coração repleto de bichos, que comem o cerne do meu ser, minha vontade.
Essa sou eu, sou a lagarta da fruta mordida dos meus próprios sentimentos.
Sinto a intensidade das emoções como o planeta terra é segurado por uma força gravitacional fortíssima, de todos os lados.
Sinto dores de todos os lados como um condenado da ditadura.
Apesar disso, eis-me aqui lagarta.
Minha possibilidade de transformação é a única coisa que segura minha fome, a fome da vida.
Minha vida é fruta.
E a mordida é a morte.
Porém ainda sim...eis-me aqui, lagarta.