No centro, o verme.
Pensa.
E ao redor, a argila.
A massa que aplaude o seu próprio torpor.
Meu sorriso é cruel.
A solidão não é um dom.
É a sentença.
A luta é incerta.
A comédia, certa.
O mercado ama palhaços.
A alma da maioria é um pântano.
Eles não têm olhos.
Apenas apetite.
Devoram a lama.
E cospem suspiros.
A chama precisa de ar.
O ar é raro.
Pensar é arder.
E a cinza é o que resta.
A posteridade?
Um nome para o vazio.
Um aceno tardio.
Para os poucos.
Os outros.
Bobos vestidos.
Gestos sem sentido.
Um banquete de sombras.
Então, a queda.
Lúcida.
E o riso.
Um riso sem dentes.
Aceitar o absurdo.
E ainda assim, pensar.
Ainda assim, arder.
Uma revolta inútil.
Um êxtase de sonhos.
A noite cai.
Sobre o campo de batalha.
Ninguém venceu.
O tédio.
O grande artesão.
Controla o manto.
E o nada.
Brilha.
Como um sol negro.
Vade retro.
A luz é uma farsa.
E a escuridão.
É a única verdade.
Está consumado.
E é oco.
A Plateia de Sombras e o Peruca
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de outubro de 2026 17:42
- Comentário do autor sobre o poema: "Os professores de filosofia falam com grande respeito sobre certas pessoas e livros que, claramente, não merecem tal elogio, porque eles precisam muito dessa forma atenuada de reconhecimento; eu, por outro lado, não preciso disso, então vou chamar as coisas pelo que são." –Arthur Schopenhauer
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Queiroz Francisco

Offline)
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