Francamente,
Não havia nada que fosse
Por algum motivo.
-
Todo aquele sarcasmo
Todo aquele cinismo
Toda aquela ironia
-
Não existiam tabus,
Debutantes do caos,
Brochantes e debochantes.
-
Tudo era motivo para piada,
Era tudo uma grande piada
E toda piada era sem graça
-
[Michel F.M. - Revolesia]
Irônico e seremos platônico
Povo que mente
Sua persona
É sua nova mente
Então nem tente
Pois riremos
E seremos falsos
Que venha o vendável da mentira!
Posso ser sério, posso ser algo muito mais que isso
Relações tão fracas, quase nulas, e ainda diz que se importa
Não olha nos olhos, não sabe o que há nos meus olhos
Ficam pelo caminho, como se fosse outra placa de publicidade
Esse contrato social, onde ninguém se importa de verdade
Sempre me avaliando, sempre me validando, sempre me deixando para trás
Sobrevivendo com pouco, com quase nada, carentes por natureza, ignorados por não sermos superficiais... (Nox Calvário)
A vitrine expõe o luxo salientando a grife
Os carros circulam pelo asfalto frio ostentando poder
Do alto do prédio por trás da janela a vaidade vê
Pessoas vão, pessoas vem sem se perceberem
Os sorrisos são plásticos n'um tempo acelerado
A luz da tela ilumina a testa retirando a atenção
As mentes neuróticas escorregam no abismo
A sensibilidade esquecida deu lugar a ostentação
Quisera a inteligência genuína agir, mas a artifial facilita
Todo mundo vai ao circo mas ninguém ri do palhaço
Porque os padrões modernos exigem seriedade
Comportamento idealizado e adequado para uma sociedade limitada
Claudio Reis
Diante de pessoas sérias
Em meio à sociedade
Vejo seus risos sarcásticos
Por trás das máscaras.
Sei que dentre os seus
Suas gargalhadas e risos
Saem com facilidades
Por motivos banais.
Prefiro pessoas que riem à toa
Que leva o mundo numa boa
E até diante da negatividade
Procura algo que se aproveite
Estes sabem a hora da seriedade
Estes tem liberdade no viver.
Nação Poética
Boa noite, eu sou o seu vizinho do lado.
Não nos conhecemos e compartilhamos,
Desejo puro de se fazer poetizado;
Lágrimas, suor e sonhos que doamos.
E nós nos reunimos nesse grande achado,
De todos os cantos, com diversas visões.
Bendizemos nesse saber conquistado,
Os nossos encantos por sermos emoções.
Sem ter noção de tempo, espaço vital,
A alma se abre para o mundo que a cerca:
Missão a pulsar cada coração sem igual.
E que tudo isso nos sirva de alerta:
Somos a falange que rechaça o mal,
Nação de raridades com mente aberta.
- Jorge E. Leal
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Eri, Fantasma sem coroa, Claudio Reis, Samara A. Ferreira, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 14 de outubro de 2026 00:14
- Limite: 6 estrofes
- Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema apresenta uma crítica ácida e melancólica à apatia contemporânea, ao niilismo e à superficialidade das relações e reações humanas na modernidade. O título irônico, "Sociedade da Seriedade Ltda.", contrasta diretamente com o conteúdo do texto, que descreve um mundo onde nada é levado a sério, mas onde o riso perdeu completamente o seu valor transformador. Abaixo, apresento uma análise detalhada dos principais aspectos do poema: 1. O Vazio de Propósito e o Niilismo - A primeira estrofe abre com uma constatação de esvaziamento: "Não havia nada que fosse / Por algum motivo". • O eu lírico aponta para uma crise de sentido. • As ações, os eventos e as próprias existências parecem desprovidas de uma causa ou de uma finalidade maior. É a introdução de um cenário puramente niilista. 2. Os Mecanismos de Defesa: Sarcasmo, Cinismo e Ironia - A segunda estrofe acumula três conceitos muito próximos: sarcasmo, cinismo e ironia. • Na sociedade moderna, essas ferramentas costumam ser usadas como escudos emocionais. • Ao adotar uma postura cínica ou irônica diante de tudo, o indivíduo se protege do envolvimento real e da vulnerabilidade. O poema sugere que essa postura se tornou crônica e generalizada ("Todo aquele..."). 3. A Desconstrução dos Valores e a "Geração do Caos" - Na terceira estrofe, o poema utiliza termos provocativos e rimados ("debutantes do caos, / brochantes e debochantes"): • "Não existiam tabus": A perda de limites ou de referenciais sagrados. Quando tudo é permitido, nada se destaca como importante. • "Debutantes do caos": Uma metáfora brilhante para aqueles que estão sendo introduzidos (estreando) em um mundo caótico, celebrando a desordem. • "Brochantes e debochantes": O deboche (a falta de respeito ou de seriedade) caminha junto com o "brochante" (o desânimo, a impotência, a falta de tesão pela vida ou por causas reais). 4. O Paradoxo do Riso Sem Graça - A estrofe final condensa a grande ironia do poema: • Se "tudo era motivo para piada", o mundo se transformou em uma comédia forçada. • O ápice trágico se dá no último verso: "E toda piada era sem graça". Quando o humor deixa de ser uma quebra de expectativa e passa a ser a regra para mascarar o vazio, ele perde a sua função catártica. O riso se torna mecânico, triste e estéril. Resumo da Ópera - O poema descreve uma sociedade "limitada" (como sugere o Ltda. do título, numa alusão ao corporativismo e à mercantilização das posturas sociais), que se finge de séria ou que faliu em sua capacidade de sentir algo genuíno. É o retrato de uma geração que se anestesiou através da piada constante, mas que, no fundo, chora o peso de um mundo sem significado.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 16
- Em coleções: Zumbido Coletivo.

Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.