CICLO DA INÉRCIA: O CHOQUE DE GERAÇÕES E A MÁSCARA DA SOBREVIVÊNCIA

Morlock


Tema/Assunto para o Poema Mesclado:

O ciclo da inércia começa quando a nova geração se choca com as estruturas rígidas deixadas pelos mais velhos. De um lado, há a busca por novos valores; do outro, o peso das regras estabelecidas. Para os jovens, o mundo é um campo de batalha de ideias; para os mais velhos, é um lugar de normas fixas.

Com o tempo, essa tensão vai se desgastando, transformando o choque em uma aceitação estratégica. Aqueles que sobreviveram às crises e mudanças acabam adotando uma postura de conformidade. Para lidar com as expectativas e a exaustão das lutas perdidas, aprendem a dizer, com um sorriso contido ou um olhar distante, que "tudo vai bem". Essa aceitação não é uma vitória, mas um mecanismo de defesa: uma inércia emocional em que a sobrevivência exige sacrificar a indignação em troca de uma paz artificial, necessária para o dia a dia.

Tema criado por Apegaua, Ayalah Berg e Morlock.





CICLO DA INÉRCIA: O CHOQUE DE GERAÇÕES E A MÁSCARA DA SOBREVIVÊNCIA



Nascemos moldados na frieza de uma arquitetura alheia,
onde o hábito se torna estrutura, e o passado se finge de pedra.
Um novo olhar colide com a rigidez dessa herança,
um atrito entre o sopro recém-chegado e a armadura do mundo,
a luta inevitável entre a urgência de refundar o chão
e o peso das normas que o tempo cimentou em dogma.
Mas a usura dos dias afia a fadiga, ensina a trégua,
e a farsa sutil se instala, um sorriso brando que murmura: "está tudo indo bem",
máscara de sobrevivência, poupando a carne do atrito contínuo.
Ainda assim, nessa paz anestesiada que cobre o cotidiano, 
a resignação não é o fim, mas a guarda silenciosa da faísca,
o descanso necessário para que a próxima geração
volte a incendiar o fosso,
renovando o olhar, reacendendo a chama.
por Morlock


E os filhos de ontem, agora envelhecidos,
repetem aos novos os mesmos sermões;
sepultam os sonhos que um dia ergueram,
e chamam de ordem suas próprias prisões.


SOMOS UMA GERAÇÃO SEM IDÈIAS
SEM RUMO
HERDEIROS DE UM MUNDO HOSTIL
ENCENANDO PEÇAS SEM PLATÈIAS
COLOCANDO ISSO EM UM RESUMO
SOMOS UM AMONTOADO NADA SÙTIL


E os filhos de ontem, agora envelhecidos,
repetem aos novos os mesmos sermões;
sepultam os sonhos que um dia ergueram,
e chamam de ordem suas próprias prisões.


E assim, entre ruínas e falsas certezas,
seguimos vestindo o medo de maturidade;
confundimos sobrevivência com grandeza,
e o silêncio com o preço da liberdade.
Mas talvez romper o ciclo seja, enfim,
desaprender o mundo que nos ensinaram,
para que os sonhos não encontrem seu fim
nas mesmas prisões que um dia nos aprisionaram.


O fogo entregue a quem julga saber tudo
corre o risco real de queimar o que resta.
Na ânsia cega de romper com o velho mundo
e escapar da prisão que o passado atesta,
a nova geração se perde em sua própria ignorância.
Prometem o futuro, a mudança, a salvação,
mas trazem nos olhos a mesma arrogância
que pode transformar a herança em destruição


Se na confraria, sentir me não como os Mestres Poetas, mas sim como um vulgar pichador de muro.
Por favor não riam, dando un tempo ao tempo, que vos juros que irei melhorar.
Pois sair por ai anunciando me como poeta.
Se sei que nada sou.
Mas pera ai, nada representa um vazio.
E se preencho um espaço no tempo.
Alguma coisa esta errada no Quartel de Abrantes.
Olha que e melhor desligarem o ventilado, por não querer espalhar minha opinião.
Será que foi por isso que mandaram colocar uma camisa de força no burro e grilhões no poeta.
Desestabilizando completamente a carroça.
Provocando um surto de riso na poesia.
Que por falta de ordem liberou as palavras que saíram bailando por caminhos infinitos.
Até a inspiração caiu no intervalo que se fez entre o inreal e o que queriam se dizer.

O que queria se falar foi dito.
Se vires a poesia em cena.
E por razão que foge completamente da compreensão se assuste não.
Pois jamais iremos conseguir encher os sacos de ovos e tomates;
E bem que poderíamos trocar por bravos.
Por que pensando bem, qualquer um com o saco cheio esses que vos falam com tanta convicção.
Que onde houver palavras.
A poesia e cena e ira atuar.
Sr. Apegaua


A Lei do Silêncio
Disse o passado: — Onde está a liberdade?
Perguntou o presente: — Esse é o problema?
O futuro pontuou: — Está na vontade,
Ou nas cinzas de quem morreu nesse dilema.
E o que ela nos traz ante a própria vaidade,
No eco mudo de quem chora, sofre e ama,
Na busca de justiça, paz ou verdade.
O som da alma reclama e o peito se inflama.
Então, o poeta cansado desaba…
No fim da noite, o tempo continua voraz,
O que ele te diz: — Não importa se acaba.
O silêncio é capaz de tudo na eternidade,
Na dor da juventude que um dia se gaba,
Até a maturidade que nos deixa saudade.
- Jorge E. Leal


De um modo bem feminino.
Vai faz gostoso me levando ao orgasmo.
E nem me diga que já esqueceu do caminho.
Faz me sentir todinha dentro de você.
Ou estar completamente fora.
Dessa volúpia fragilizada que não me leva ao gozo total.
Mas que ajuda.
Quando todinho o absorvo.
Afaste esse seu corpo do meu.
Não vê que não sou mais pura.
Subsequência que o destino esqueceu.
Mas mesmo assim.
Se ainda me quiseres tua.
Obstáculo algum poderá me fazer negar.
Pois se olhar para o passado procurando erros.
inferiorizar me seria pouca comparação.
Com essa danada de tesão.
Que sinto ao tocar me.
E seria muito boba em negar.
Afinal.
Tudo aqui ventilado.
Só a nos diz respeito.
Apegaua
Obs. Esse texto tem tudo a ver com a sobrevivência.
Pois e do tempo em que as mulheres sentiam o orgasmo demorado.
E que o Garrincha, jogava no FC.Pau grande.


As músicas de ontem já não
são as músicas de hoje
as câmeras fotográficas em filmes
já não são as câmeras digitais
de hoje,
os filmes em fitas já não
são os mesmos
tudo mudou causando um choque
entre as gerações
Tudo foi repentino
quando se menos esperava
tudo foi mudando de lugar
e nesse cenário
me sinto uma mobília antiga
colocada no canto da sala.


Sonhei demais.
Erro meu.
Agora, a rotina me pede.
E eu deixo.
Ela tem mãos hábeis.
O mal não precisa de máscara.
Basta não olhar.
Basta o espelho.
Ele é vaidoso, o mal.
E pouco exige.
Já não caçam estrelas.
Guardam moedas no bolso
e à noite, sob o lençol,
negociam com o diabo
mais tempo.
Há uma diferença amarga
entre o que se é e o que se finge.
O ser exige o fogo, o corte, o risco...
o estar apenas em ocupar,
o silêncio de quem incomoda.
Dizer está tudo bem
é o delírio do enforcado.
O jovem, o velho,
aprendem a regra.
Beijam a mão que os agrada.
Chamam isso de caráter.
O mundo é vasto.
O tempo, uma pauta apressada.
E todos cedem,
como quem mostra as pernas
para a chuva.
Há um tempo, porém,
em que só se foge.
As vozes.
As perguntas.
Vivê-las agora.
Depois, talvez,
uma resposta caia
como uma fruta podre.
O mundo é um lugar
onde se deve apenas estar.
Um domingo eterno.
Um perfume que não disfarça.
O lento envelhecer
de quem tentou ser.
[de Ayalah Verônica]


Mobília antiga colocada num canto da sala.
Jaz.
Em Carrara de mármore.
As lembranças que de ti me fica.
Pela minha vontade que com o tempo se vai.
Tudo muito bem embalado num fuso de algodão.
Adormecido em involucro de cristal.
Esse seu perfume.
Que se não misturado.
E sem igual.
Apegaua


O indício da inércia
Começou lá no início
De uma grande civilização
Que começou a escrever um livro.
Que no fundo tinha um bom princípio
E até hoje como exemplo ele é utilizado
Mas com más intenções ele foi modificado
E o que seria maior obra existente
(E é, se encontar a original)
Também foi utilizada para tentar podar o que achavam profano e vulgar
Transformando-as em pontes para crenças estabelecidas
Resultando na bagunça que hoje presenciamos
E um Reset supremo é o que hoje necessitamos
Para restaurar a sociedade
E curar toda a maldade que foi surgindo
Com as normalidades do que não seria normal.
E enquanto isso não acontece
Seguimos com esse choque de gerações
Alguns precisando de terapias
E outros vivendo em utopias.


Quando a safra de terapia ultrapassa o que se planejou.
Só a um jeito de se resolver a crise.
Ligar para a utopia e deixar de proposito ela se espalhar.
Eu e que não vou me embrenhar por palavras.
Por que nessa minha curta estada.
Cedo descobri.
Que carinho amor e respeito.
Por razão que desconheço.
Não for usado por mim.
Sem sombra de duvida não enviarei para ser reciclado.
Pois o que e bom para mim.
Também será o pão que alimenta o alheio.
Apegaua


A vida é curta, a morte é inevitável, é tudo o que há a dizer sobre toda essa confusão... o pôr do sol é a prova de que os finais também podem ser bonitos.
[Verônica Berg]


Hoje me deu vontade de plantar uma arvore.
E para aduba-la irei despir todas minhas mascaras.
Ódio.
Vingança e traição.
Pois sei que mentira não frutifica nenhum vegetal.
Mass se por um acaso do destino essa arvore vingar.
Tenho certeza que nenhum ser humano ira derrubar.
Pois a de ser muito bobo.
Alguém querer jogar ao chão todos os seus tesouros.
Apegaua


Fui ao cartório
averbar minha existência,
fiz alterações significativas.
--
Demoli o sobrado que criaram pra mim.
--
Quero, com isso, pagar menos impostos,
é caro ser civilizado,
já nasci com tudo inventado.
--
O novo alicerce vai para kitnets,
todos que guerreavam no sobrado vão morar lá.
Separados,
--
mas o velho portão fica,
pelo menos isso vão ter que dividir.
(Queiroz, Francisco)


Divergência entre gerações!
De Tempo?
De opiniões?
Mas bastaria apenas promover uniões
Uma vez que nenhuma delas tem plenas razões
Justificativas para se dizer estar
Certo ou errado ao opinar
Vida não é jogo
Não há portanto disputas
Nem premiações reveladas ou ocultas
Além do contínuo e eterno aprender
E sair da vida sabendo
De nada saber
Realmente é elevação de egos
Desnecessário lacrar com pregos
A caixa de madeira ou a arca
Que salva e reproduz a marca
De dependência de atos extremos
Para unir humanos, seres tão pequenos
Que como formigas
Somente unidos e então, talvez
Por não nos exaltar, não morremos
A morte que tanto tememos...

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Comentários1

  • Apegaua

    Publico, qualquer usuário do site pode participar, desde que se assuma assinando o seu texto, por que a casa da sogra e no outro quarteirão.
    Essas pequenas falhas, dilapidam com o efeito da Democracia, pois nela esta a outorga dos direitos autorais...

    Amigos da onça.
    Só.
    Na beira do caminho lamentando me de ter muitos amigos.
    Mas na hora da precisão. Mais fácil e o galo cantar.
    Do que eles aparecerem.
    Ai da para pensar.
    Cada cabeça com seus problemas.
    Seus gostos suas escolhas.
    E nem adianta adiar a amizade.
    Acima rezo para que não esteja o interesse.
    Como na passagem dos Amigos da Onça.
    Eram por que tinham medo de serem comidos.
    E como não sou um animal esfomeado.
    E não como os meus amigos.
    Passo despercebido.
    Sr. Apegaua.



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