E SER, PARA QUÊ.

Ayalah Verônica Berg

 

O universo não te saúda.
Atropela.
Chamamos de vida.
Ele arquiva como loucura.
 
O infinito roça o finito.
Sentimos um arrepio.
Isso é o ser?
Isso é a realidade?
Que gemido sem graça.
 
Realidade não é estática.
É o instante em que o fora
arranha o dentro
e ainda debocha.
 
Fui lançada.
Ninguém anotou meu humor.
O chão é empréstimo.
O escuro, propriedade.
 
O mundo não é nossa casa.
É sua ilusão.
Mal feita.
Eu deito em cima.
 
Palco de sombras?
Talvez.
As sombras pagam mentiras.
Todos aplaudem baixo.
 
Emoções boiam.
Pensamentos afundam.
Cada um com sua razão.
 
O limite é desejo
vestido de desespero.
O reflexo quer rosto.
Queremos espelho.

Uma vida.
Só uma.
E gastamos
pensando em arte.
 
Por que correr
como se não ardesse?
Como se o sonho
fosse um incêndio
sem seguro e sem futuro?
 
Corra.
O fogo não pergunta.
O mundo também não.
 
Cheira a amanhã.
Acordo.
Durmo.
E amanhã.
Acordo.
Durmo.
 
 
E ser, para quê. 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 11 de outubro de 2026 15:43
  • Comentário do autor sobre o poema: Uma vida. Apenas uma. Por que não estamos correndo como se estivéssemos pegando fogo em direção aos nossos sonhos mais loucos? –Verônica Berg
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 8
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Queiroz Francisco


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