Ayalah Verônica Berg

E SER, PARA QUÊ.

 

O universo não te saúda.
Atropela.
Chamamos de vida.
Ele arquiva como loucura.
 
O infinito roça o finito.
Sentimos um arrepio.
Isso é o ser?
Isso é a realidade?
Que gemido sem graça.
 
Realidade não é estática.
É o instante em que o fora
arranha o dentro
e ainda debocha.
 
Fui lançada.
Ninguém anotou meu humor.
O chão é empréstimo.
O escuro, propriedade.
 
O mundo não é nossa casa.
É sua ilusão.
Mal feita.
Eu deito em cima.
 
Palco de sombras?
Talvez.
As sombras pagam mentiras.
Todos aplaudem baixo.
 
Emoções boiam.
Pensamentos afundam.
Cada um com sua razão.
 
O limite é desejo
vestido de desespero.
O reflexo quer rosto.
Queremos espelho.

Uma vida.
Só uma.
E gastamos
pensando em arte.
 
Por que correr
como se não ardesse?
Como se o sonho
fosse um incêndio
sem seguro e sem futuro?
 
Corra.
O fogo não pergunta.
O mundo também não.
 
Cheira a amanhã.
Acordo.
Durmo.
E amanhã.
Acordo.
Durmo.
 
 
E ser, para quê. 
 de Ayalah Verônica Berg