uma das grandes
contradições
do capitalismo,
-
é criar
os alicerces
para sua própria ruína
e derrocada.
-
a inevitabilidade
do fim
capitalista,
-
será a última realização
do acúmulo de capital.
-
tudo
que é insustentável
se autodestrói.
-
[Michel F.M. - Revolesia]
Passageiro Clandestino
Um dia o homem apareceu,
Em sua mente brilhante se viu.
Pensou ser imparável, esqueceu:
A natureza mudou, o i-mundo ruiu.
Esqueceu-se de, ser o ser mais frágil,
Agiu no mundo como se dono fosse.
Em tudo pôs a mão, foi puro nau-frágil,
Trilha de destruição em sua posse.
Verdadeiro boçal de pele sensível,
Reles vulnerável subestima a morte,
De carcaça esquálida o mais risível.
Não tem consciência, nenhum suporte,
Ledo engano: o i-mundo não é indestrutível,
Passageiro, não é de aço tampouco forte.
- Jorge E. Leal
-
quanto mais se acumula,
-
mais se cava
o vazio
sob os próprios pés.
-
e enquanto poucos
erguem muralhas de riqueza,
muitos
sustentam o peso
de suas fundações.
-
o progresso
não é progresso
quando exige
a ruína de tudo
que o torna possível.
Não adianta chorar
depois do leite derramado
se não construir grandes alicerces.
Quando não se faz com Amor
foco, força e fé tudo se destrói
Não construa castelos de Areia
pois com a primeira onda do mar
tudo é destruído
Um modo de Governar abrupto e impensado
Lados forjados em autocracia e supremacia
Esqueceram-se da democracia e da cidadania.
Povos escravos com poucos anéis — Réus de uma corte(Ô) temporária, infiéis
Viam-se formigueiros - trabalhadores rurais e carnais — cansados e pesados
Carregando um imenso fardo, enquanto abelhas rainhas fustigavam seus pratos e horários.
Visto do alto, um castelo arenoso e penoso
Bonito só ao olhar, porém triste ao entrar
Sobra a tristeza da cultura e da vida roubada
Uma vida econômica monitorada, sendo migalha a uma classe operária.
Ao contemplo deste grande museu — chamado planeta
Entre luz e sombra, riqueza e pobreza
Um lado construído pelo rico papel infundado
Outro lado destruído pelo estado, maltratado e furtado por um ditado.
Quem diria que um simples nome viraria um lado monárquico
Um sistema econômico temporário
Onde o amor e a virtude ficaram ao lado, esquecidos e amontoados
Em uma prateleira de areia, grãos com seus vãos contados
Que derrubados serão pelos seus próprios atos humanitários.
-GabrielMaria-
Erguem-se impérios sobre a terra ferida
Chamam de progresso o que o mundo perdia;
Mas a raiz que consome a própria vida
Não sustenta por muito tempo a própria tirania
Sustentabilidade
Surrealidade (isto sim)
Alienabilidade (isto sim)
Banalização
Erradicação
Diretrizes falhas por demais em cumprimento do direito a vida em sua essência mediante posicionamentos de órgãos governamentais...
E o pior disso tudo
É que sendo um total absurdo
Mas temo não ser indizível
Que não há muito a se esperar de melhoras
Mediante os pleitos no nosso Rincão Varonil
Esse ainda querido chamado Brasil
Temeráriamente nem sei se poderia me pronunciar descontente
Pelos risco incoerentes
De me manifestar abertamente
Então aproveito aliviadamente
Para expor minha tristeza mormente
De saber que há pouca esperança de concordada paz e alegria na nossa gente
Mediante a questão trazida
Sustentabilidade que deveria andar pareada com Vida
Aqui tenho que o fazer elegantemente
Quão descabida é a sustentabilidade em meio a maioria das nossa brasileira vertente te!
-
e quanto mais alto
se erguem as torres
do capital,
-
mais profundas
se tornam as fissuras
que o sustentam.
-
há rachaduras
sob o mármore,
há ruínas
sob o ouro,
há vidas
sob os números.
-
mas os olhos
habituados ao lucro
já não distinguem
o preço da conquista
do custo da destruição.
-
acumulam-se riquezas,
esgotam-se os recursos,
multiplicam-se os lucros,
subtraem-se as possibilidades
de um futuro comum.
-
e chamam de progresso
a marcha incessante
sobre os próprios alicerces,
como se o chão
não pudesse ceder
sob o peso
daquilo que sustenta.
-
mas nenhuma estrutura
é eterna
quando sua permanência
depende daquilo
que consome.
-
o capital ignora
que a exploração
não produz apenas riqueza,
mas também
as condições
de sua própria negação.
-
e quando as contradições
deixarem de ser sussurros
e se tornarem ruínas,
não será o fim
que terá chegado de repente,
mas a consequência
que terá sido adiada.
-
pois todo império
carrega em suas paredes
a história
daquilo que destruiu
para permanecer de pé.
-
e talvez
a maior contradição
não seja construir
o próprio fim,
-
mas acreditar
que o acúmulo
poderá substituir
aquilo que torna
a própria existência
possível
Em meio às terras indecentes
Satisfeitas com o sumir
Nasceu um cravou aprumado
Que não disputa o surgir
Com as raízes enraizadas
Destacou seu passo largo
Subiu das covas rasas
E pulou o mundo a fora
A procura do solo raro
Com devotos aglomerados
Mas desmembrar o novo ar
Fatiou o seu vibrar
Que fadica todo o ser
E murcha seu curto viver
Os templos que vão crescendo
Se expandem sem parar
Acumulam muita gente
E impedem o raiar.
Cobrindo os solos verdes
Com alta estimação
Da mais pura tinta seca
Que manda na criação
Da exagerada demanda
Porém, o cravo seco
Encharcado de suor
Retorna à sua cova
Moído por voltar só
No fim, não cultivou
Nem mesmo um grão.
— Vk_noctur
Dizem que o lucro é a fenda e o veneno,
Que a propriedade isola o cidadão.
Mas esquecem que o sonho do pequeno
Só ganha vida onde há livre escolha na mão.
Pregam em versos a tal divisão,
Discursos bonitos de igualdade e bem.
Mas na hora de abrir sua própria mão,
Nenhum deles divide o que o bolso tem.
Clamam por cotas, partilhas e fusões,
Mas o plano real é bem mais severo:
O governo confisca todas as posses e ações,
Tornando-se o único dono de tudo, do topo ao zero.
O capital não some sob o manto vermelho,
Ele apenas muda de dono e de altar:
Fica encastelado no topo do espelho,
Enquanto o povo embaixo vê a fome chegar.
Quem ergue muralhas em nome do bem,
Centraliza a vida, o pão e o altar.
Onde não há direito de ser alguém,
A igualdade é a miséria que vem governar.
Não há progresso sem o livre sustento,
Pois o poder absoluto tudo destrói.
O mercado erra, mas move o vento;
O Estado que tudo manda, a vida corrói.
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Lux tenebris, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Biel, Smith, Lucita, Vk, Mara
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 12 de outubro de 2026 04:27
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- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Tudo que é insustentável se autodestrói" propõe uma reflexão crítica de forte teor socioeconômico, utilizando uma linguagem direta e minimalista para abordar uma tese clássica da economia política: a autodestruição inerente ao sistema capitalista. Abaixo, apresento uma análise dividida pelos principais aspectos da obra: 1. Temática e Intertextualidade Ideológica - O tema central do poema é a autofagia do capitalismo. O eu lírico dialoga diretamente com as teorias de Karl Marx — especificamente a ideia de que o capitalismo produz suas próprias "armas" e seus próprios "coveiros". • "criar os alicerces para sua própria ruína": Esta linha sintetiza o conceito de contradição interna. O sistema, ao buscar a expansão perpétua, exaure os recursos (humanos, ecológicos e sociais) que o sustentam. • "a última realização do acúmulo de capital": O poema sugere um paradoxo trágico. O ápice do sucesso do capitalismo (o acúmulo absoluto) coincide com o seu colapso. A vitória máxima do sistema é, simultaneamente, o seu fim. 2. Estrutura e Ritmo - O poema é construído em versos livres e estrofes curtas, com o uso predominante de letras minúsculas, o que confere um tom contemporâneo, fluido e quase de "manifesto sussurrado". • Fracionamento dos versos: A divisão das frases em palavras isoladas (como "uma das grandes / contradições / do capitalismo") desacelera a leitura. Isso força o leitor a pesar o significado de cada conceito (alicerces, ruína, derrocada). • Crescendo argumentativo: O poema funciona como um silogismo filosófico. 1. Apresenta a premissa (a contradição do sistema). 2. Desenvolve a engrenagem (o acúmulo gerando o fim). 3. Conclui com um axioma universal. 3. A Conclusão como Axioma Universal - A última estrofe isola a frase que dá título à obra: "tudo / que é insustentável / se autodestrói". Ao retirar a palavra "capitalismo" da conclusão, o poema expande seu significado. O que começou como uma crítica econômica transforma-se em uma lei natural ou ecológica. No contexto do século XXI, essa "insustentabilidade" evoca imediatamente a crise climática e o esgotamento do planeta, sugerindo que o colapso não será apenas econômico, mas existencial.
- Categoria: Reflexão
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- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Zapata Pancho, Günnar Görak, Sir. Demétrius Corderoy
- Em coleções: Zumbido Coletivo.

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