Memórias da Ditadura

Miguel Espinoso

 

Na marcha de mil corações valentes,

Mastigamos nossa própria carne entre os dentes.

Calou-se a canção, encontrou-se a flor pisoteada

No chão

 

Onde estão os valentes, cadê nossa gente?

Moídos pelo açoite, cantamos em silêncio na madrugada da noite.

Aquela animada rua, deitou-se antes da hora, e nunca mais acordou.

 

Deram-nos do cálice das grandes fomes e aflições; embora só cresçam as plantações,

o prato está vazio, assim como o sorriso - antiga liberdade, não passa de atual delírio.

Fizeram do sangue brasileiro vinho tinto, e do mesmo se embriagou o povo.

Que teve sede e bebeu do choro, que sentiu fome, e do outro se alimentou.

 

E na cordilheira, riu o lobo, que era cão e viu na coleira o homem

Fizeram-nos poeira, e fomos varridos pelo chão

Não parou, no entanto, a marcha dos mil corações.

 

Desafio-te ó lobo, a bater-nos um pouco mais

Pois somos como tambor, e nos calaremos jamais.

  • Autor: Miguel Espinoso (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de outubro de 2026 19:38
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
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