Na marcha de mil corações valentes,
Mastigamos nossa própria carne entre os dentes.
Calou-se a canção, encontrou-se a flor pisoteada
No chão
Onde estão os valentes, cadê nossa gente?
Moídos pelo açoite, cantamos em silêncio na madrugada da noite.
Aquela animada rua, deitou-se antes da hora, e nunca mais acordou.
Deram-nos do cálice das grandes fomes e aflições; embora só cresçam as plantações,
o prato está vazio, assim como o sorriso - antiga liberdade, não passa de atual delírio.
Fizeram do sangue brasileiro vinho tinto, e do mesmo se embriagou o povo.
Que teve sede e bebeu do choro, que sentiu fome, e do outro se alimentou.
E na cordilheira, riu o lobo, que era cão e viu na coleira o homem
Fizeram-nos poeira, e fomos varridos pelo chão
Não parou, no entanto, a marcha dos mil corações.
Desafio-te ó lobo, a bater-nos um pouco mais
Pois somos como tambor, e nos calaremos jamais.