A Cidade de Olhos Abertos

Mário Francisco Pugens Bressan

Teus cabelos desciam
como a noite entre os prédios.

Nossa pele sangrava
o vermelho dos semáforos.

Nosso cheiro despertou a chuva.
Escorreu no asfalto,
tingiu o vento.

A cidade, de olhos abertos,
caminhou conosco em silêncio.

Ao amanhecer,
as ruas recolheram os espelhos.

Restaram apenas
poças e fumaça,
guardando o som
dos nossos passos.



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