Teus cabelos desciam
como a noite entre os prédios.
Nossa pele sangrava
o vermelho dos semáforos.
Nosso cheiro despertou a chuva.
Escorreu no asfalto,
tingiu o vento.
A cidade, de olhos abertos,
caminhou conosco em silêncio.
Ao amanhecer,
as ruas recolheram os espelhos.
Restaram apenas
poças e fumaça,
guardando o som
dos nossos passos.