Assunto/Tema para o Poema Mesclado:
Todos estamos aqui. E isto é real. A realidade não é um monumento estático, mas um evento: o instante exato em que o universo lá fora colide com a consciência aqui dentro.
O cosmos encontra o eu. O infinito toca o finito.
Talvez a maior verdade seja que o mundo não é nossa casa, mas nossa interpretação. Um palco de sombras onde as emoções flutuam e os pensamentos se confrontam.
Palco e espelho. Onde o limite se faz desejo, e o reflexo se faz aspiração.
- - -
Tema criado por Guacimar V. Mello Noos, Ayalah Berg e Morlock.
ONDE TERMINA O MUNDO E COMEÇO EU?
Estamos aqui.
O sangue sustenta esta certeza frágil:
a realidade não é monumento de pedra,
mas o evento súbito —
a colisão vertiginosa entre a mudez do cosmos
e as sombras que projetamos sobre o nada.
O estalo seco do infinito
contra a pele do agora.
Faísca acesa no ponto exato
em que a vastidão estremece
e desaba na escuridão de uma consciência.
Tudo o que sinto é a tradução
de um silêncio que o cosmos desconhece:
uma arquitetura de luzes
prestes a se apagar.
Somos o lampejo desse encontro.
Um teatro de espelhos que se estilhaça
no instante exato em que compreendo
que nunca estive aqui.
por Morlock
Se me permite, eu colocaria estes versos antes de “Somos o lampejo desse encontro”.
Há oceanos dormindo na pele das estrelas,
catedrais de noite presas no vazio,
e um sol púrpuro girando lentamente
no seio de cada pensamento.
Ao longe, o tempo arrasta suas asas de vidro
sobre as órbitas vazias de um céu
onde os sonhos esqueceram
quem os sonhou.
A vida nos concebe para um fim traçado
Onde o caminho pende ao abismo das dúvidas
Beijos de amores que dissipam-se
Ilusões entregues aos ouvidos da alma
Sarcasmos de lamúrias infindaveis
Doces sonhos enterrados sem germinar.
A semente dorme na terra
a chuva fecunda o futuro
o sol abrasa a frescura
onde o aroma se espalha
a saudade chega e vai
o tempo apenas avança
somos feitos para caminhar
caminhos desconhecidos
tortuosos, chegamos ao fim
pontos se ligam, a semente brota
Silêncio...
Aqui começo eu,
não a vossa hipocrisia,
não o vosso céu,
não a tua boca que procrastina
e me critica
sem filtros.
Sou um contraste,
uma odisseia no cosmos,
aquele que o espelho reflete de verdade,
não a máscara com que me pinta a sociedade
para atuar pela vossa felicidade.
Silêncio...
Aqui termina o mundo
e começo eu.
PoetadeMarte
Terço Lunático
A fronteira onde o mundo termina e o eu começa,
Ou até aonde vai a liberdade da nossa existência,
E o trio da loucura acredita entre si e vice-versa,
Questiona o poeta, o boêmio e o filósofo, essência.
Mas, um anjo veio e sussurrou no meu ouvido:
— Brincalhão, tu brinca mais que a brincadeira!
No verso do poema traça-se um mundo sofrido,
São uns loucos, muito loucos da poesia rasteira.
Onde foi traçada a linha entre o ódio e o amor?
Nas trilhas do sonhos e pesadelos em segredo,
Sentimentos humanos de arte expressa na dor.
Nos encorajam a enfrentar nosso maior medo,
Pois quem reza o próprio destino com louvor,
Aprende a viver sem pressa ou morre cedo.
- Dodge Leal
ESTOU QUERENDO SABER
EU PERTENÇO À ESTE MUNDO OU O MUNDO É QUE PERTENCE À MIM?
SERÁ QUE DESCOBRIREI NO FIM?
OU SÒ VOU SIMPLESMENTE MORRER?
Onde termina o eu começa o mundo e onde termina o mundo começa o eu
Mas somos um, pois eu sou o mundo em parte.
E a vida separa o que é do mundo daquilo que é meu.
Meu? Nada é meu que se farte.
Eu e o mundo somos um e dois.
Unidos por uma eternidade pregressa, unidos pela eternidade vindoura.
Separados no vazio da vida, nem pelo antes e nem pelo depois.
Agora caminho, trabalho, limpo a lavoura.
Ervas e espinhos, nascem da noite.
Podo ao dia sem cortar a raiz.
O mal que cresce se torna em açoite.
A dor é o custo de poder ser feliz.
Enquanto sigo no mundo sendo o mundo sem perceber.
Separado por pura ilusão.
Do mundo como outro ser.
-Marcelo Miranda Velten.
Na calada da pálida noite.
Onde céticos entendidos e poetas.
Não confirmaram se realmente e.
Onde termina o mundo e começa eu.
Talvez fosse por isso que vi.
Meus carmas a desfilarem.
Passavam como a zombar.
Bailando sem sentimentos sentirem.
Como que não fossem ligados a mim.
Com suas asas flamejantes.
Olhavam para o vago.
Faziam me sentir um pavor que gelava.
E foi ai que todos os pecados passaram a me cobrar satisfação.
O medo.
A inveja.
O ódio.
E a usura fundindo se numa só comprovação.
Numa dança irônica que me deixou extático.
Foi quando escutei.
_ Vos sois o dono desses carmas?
Que vagueiam pelos caminhos que não levam a nenhum lugar.
O medo não deixou me falar.
Sentia na boca o tedio a incomodar.
Minha alma do corpo querendo fugir.
Sentia que desse jeito não iria resistir.
Foi que soltei o grito preso na garganta.
Sossega mente fantasiosa.
Pare de sonhar.
Sr. Apegaua
Todos estamos aqui, e isto é real.
Não há pedra ou estátua que curve o agora.
A realidade não é monumento,bloco estático ou final,
Mas o evento exato que se desdobra lá fora.
É o segundo urgente,o choque, o clarão,
Em que o peso do universo em sua imensidão,
Colide com o silêncio da nossa consciência,
Transformando o infinito em sentimento denso.
O cosmos encontra o eu,sem pedir licença,
O infinito toca o finito na ponta dos dedos.
E na imensidão dessa nossa frágil presença,
Desenhamos o mundo para espantar nossos medos.
Talvez a maior verdade que o peito carrega
Seja que a Terra não é nossa casa final,
Mas a nossa mais pura interpretação, cega,
Dando cor e sentido à matéria física e real.
Viver é este palco de sombras projetadas,
Onde emoções flutuam feito poeira no ar,
E pensamentos se confrontam em longas jornadas,
Tentando o mistério da vida decifrar.
Aqui somos o palco e o espelho da criação,
Onde o limite humano se transborda em desejo,
E cada reflexo no vidro vira eterna aspiração
De ser, ao mesmo tempo, o universo e o beijo.
Eu me vejo no outro
Mas não como o outro me vê
Os reflexos nos mostram
O que precisamos entender.
A partir do sentir
Vamos nos moldando
São configurações infinitas
Assim como o reflexo do mundo
Em outro plano.
Talvez nada tenha um fim
Apenas níveis para subir.
Quando não se paralisa num ciclo
Que segue girando
Correndo o risco de perder o controle
E puxar tudo para si como um ciclone
Ou ficar como um buraco negro
Podendo engolir tudo e até a si mesmo.
Mas eu começo ali
No meu primeiro sentir
Quando saiu de um mundo
Aquático, escuro e ritmado
E vim para este aqui
Com infinidades para sentir.
Do que sou feito
há de sobra
pelo mundo,
Enquanto corpo
Enquanto sopro
Enquanto gozo.
Mas eu sou bem mais que osso
E não porque um livro antigo disse.
Eu sou poesia
Destemida,
Eu sou memória
De outras vidas,
Eu sou o anseio
Da juventude livre.
Intangível
Incognoscível
Para essa forma de vida.
O universo não te saúda.
Atropela.
Chamamos de vida.
Ele arquiva como loucura.
O infinito roça o finito.
Sentimos um arrepio.
Isso é o ser?
Isso é a realidade?
Que gemido sem graça.
Realidade não é estática.
É o instante em que o fora
arranha o dentro
e ainda debocha.
Fui lançada.
Ninguém anotou meu humor.
O chão é empréstimo.
O escuro, propriedade.
O mundo não é nossa casa.
É sua ilusão.
Mal feita.
Eu deito em cima.
Palco de sombras?
Talvez.
As sombras pagam mentiras.
Todos aplaudem baixo.
Emoções boiam.
Pensamentos afundam.
Cada um com sua razão.
O limite é desejo
vestido de desespero.
O reflexo quer rosto.
Queremos espelho.
Uma vida.
Só uma.
E gastamos
pensando em arte.
Por que correr
como se não ardesse?
Como se o sonho
fosse um incêndio
sem seguro e sem futuro?
Corra.
O fogo não pergunta.
O mundo também não.
Cheira a amanhã.
Acordo.
Durmo.
E amanhã.
Acordo.
Durmo.
[de Ayalah Verônica]
Isso de mundo, isso de um certo eu,
isso de alma, deus, deuses, mistérios.
Isso de tudo que penso que sei,
de tudo que duvido,
issos e aquilos,
opinião, magia, doutrina, utopia...
Para mim (que fui condenado/abençoado a pensar)
é um Grande TANTO FAZ.
Não tenho preferências.
A minha mente de torcedor, de espectador,
não muda o que é.
E o que é, é, e pronto.
Quem pensa que sabe é um grande bobo, só isso.
Por isso o tal do Sócrates foi dito sábio, e era,
pelo menos quando mentiu nada saber.
Se a verdade for morrer e nascer estrela em outro canto,
ou morrer e o abraço no nada,
o que de minhas expectativas vai mudar isso?
Se for, é.
Não vou me descabelar se Deus nunca existiu,
e se existir, tá aí minha franqueza para Sua Excelência:
não cederei, pelo menos em intelecto,
a nenhum capricho.
Se tenho o vestígio de consciência,
se é pura matemática orgânica ou uma chispa divina,
eu serei franco.
Para mim, tudo que há é um tanto faz.
E eu me divirto
experimentando o que tenho à frente do nariz,
com lampejos de uma coisa chamada gratidão
ao grande senhor TANTO FAZ.
(Queiroz, Francisco)
- Autores: Morlock, Mário Francisco Pugens Bressan, Guacimar Vieira de Mello Noos, Imagno Velar, PoetadeMarte, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, credence, Marcelo Miranda Velten, Apegaua, Mara, Samara A. Ferreira, John Kennedy, Ayalah Berg, F. Queiroz
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 12 de outubro de 2026 18:00
- Limite: 3 días
- Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 38
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock

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