Preso na névoa, estou me arrastando pelas paredes
Toda vez que sinto algo, vou perdendo as folhas, vou perdendo minha sensatez
Tronco, pode podar todas as minhas raízes
Tudo tem virado um problema, uma dor de cabeça, uma pendência, uma dependência
Sem visão no olhar, sem sorriso para mostrar
Diga que sou frio, diga que sou hostil, diga que não sou quem parece ser
Mas estou cansado, estou dependente, estou carente
Não diga que sente, porque você não sente, e eu tenho rezado tanto, tem sido tão difícil, só que eu não quero reclamar
Então acerte a navalha, acerte o machado com força na madeira
Quebre a cerca, deixe a videira, deixe escorrer toda a minha seiva
Mas me faça sentir que ainda estou vivo, me faça sentir que ainda tem alguma finalidade
As horas passam, mas os dias nãos, eu tenho medo de estar dormindo na minha sepultura
Não quero ser exagero, não quero ser precipitado, não quero ser algo que não sou
Mas minha folhas vão caindo, toda vez, que mente para mim
No silêncio, no silêncio eu vou sangrando, até envergar
Acenda o isqueiro, porque já não faz diferença, queime tudo o que um dia eu já tive, para que não sobre nada
Eu vou cravando, cravando, espremendo todas as minhas juntas para subir do abismo
Me diga que ainda posso ser consertado, me diga que ainda posso ser amado, me diga que vai ficar tudo bem
Mas não consigo ver, porque estou coberto de espinhos, cresci no meio das pedras e os pássaros roubaram todas as minhas sementes...
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Autor:
Fantasma sem coroa (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de outubro de 2026 22:07
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
- Em coleções: Culpa, Melancólico, Melhores poemas.

Offline)
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