Artista de rua

Fábio Marinho

Eu sou um artista de rua!

Aquele que dança e flutua,

Pintado de verde e esperança;

Que toca, que bate e sacode

O corpo, o atabaque, o que pode,

Com a alma sangrando na dança.

 

Eu faço a criança sorrir,

No sopro do apito a zunir,

E vejo as pessoas chegando.

Pareço contente e feliz

Pulando e pintando o nariz,

Mas sinto o meu peito chorando.

 

Eu subo no chão da cadeira

E abano sentindo coceira,

Ouvindo assovio e risadas.

Espio do canto dos olhos

O velho chapéu e recolho:

Sem uma moeda, sem nada...

 

Sorrio ao cordão da lameda

e passo a cuspir labaredas.

Adultos sorriem, maduros

E toda a criança se espanta

Do fogo que a boca levanta,

À noite que chega no escuro.

 

Cansado e joelho em frangalhos

Apanho o meu velho agasalho

E tento esquecer-me da fome.

E então agradeço às pessoas,

Por palmas e risos à toa,

E nunca saberem meu nome...

  • Autor: Fábio Marinho (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de outubro de 2026 10:25
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.