Gramática Limitada

Regina Andrade

Diz ser de ação,
mas não aceita o pronome reto.
Só os artigos te acompanham,
mas acusa o Eles
da sua infeliz imutabilidade no tempo:
nem hoje, nem ontem, nem amanhã.
 
É só uma palavra bonita
enquadrada em uma cavidade úmida
com lábios grossos ou finos.
Na sua gramática de berço,
que só te permite ver o recorte da realidade
onde você só dá nomes.
Afinal, como conjugar a entrega
se o seu texto apenas repete
o vazio que recebeu da página anterior?
E que afixo sou eu?
Vai me nomear sufixos ou prefixos dos teus erros?
Um erro gramatical repetido no tempo verbal...
 
Temos o mesmo radical,
mas construí sentenças diferentes
para a minha continuação.
Cansei de ser um pronome nunca usado no texto:
— Nós.
 
Te deixo com seu dicionário podre de significado.
Onde sobram adjetivos mornos
para concordâncias verbais de menos.
 
Eu me torno minhas ações:
às vezes no mais-que-perfeito,
às vezes no futuro do pretérito.
 
Dependendo do modo como sou tratada,
posso ser a certeza do indicativo
ou o desejo do subjuntivo...
 
Mas serei sempre imperativa.
É sim, sim. É não, não.
Para o meu bem ou mal.

 
  • Autor: Regina Andrade (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 7 de outubro de 2026 17:28
  • Comentário do autor sobre o poema: Entenda na gramatica da vida só permita aqueles que são verbos, pois substantivos e adjetivos são muito estáticos.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Pedro Viegas


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