Solitário Alaúde

Miguel Espinoso

Como andorinha, foram-me dadas asas.

Voei pelo vasto céu, mas sem companhia;

o céu, em sua imensidão, tornou-se

pequeno, e em seu divertimento, entediante.

 

Toco, sem entusiasmo, as tão encantadoras 

cordas do meu alaúde, pois não há quem encantar.

De que adianta a música ressoar, se não há alguém, que não eu,

para dançar?

 

Repouso meu queixo no braço do meu instrumento

e toco ali mesmo, na sombra de uma nuvem.

Mal posso sentir a companhia das minhas lágrimas,

pois são levadas pelo vento.

 

Meu amigo Ícaro, chamei-o de tolo,

mas talvez tenha te julgado mal.

De que adianta voar sob os limites do céu,

se ele é só seu?

 

Mais valor há em tocar o sol

e sentir um calor que não o do meu eu.

Ainda que queime, ainda que seja o fim,

pelo menos teria algo além de mim.

 

- Miguel Espinoso

  • Autor: Miguel Espinoso (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de outubro de 2026 20:25
  • Comentário do autor sobre o poema: Olá, caro leitor(a)! escrevi este quando achei a imagem de um pequeno anjo, tocando um alaúde (A imagem fixada) no meu pinterest. Observei a expressão do pequeno e pensei quão solitário ele parece se sentir, e se pudesse escrever, o que escreveria? A reflexão, ao meu ver, é bastante clara e vai além de uma simples solidão. Deixo o resto contigo, abraço! (Seria um prazer ler sua interpretação nos comentários, fica o convite...)
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 2


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.