Passageiro 78

Dimar Monteiro Sanca

Passageiro 78

 

Nem tudo é sobre sonhos e memórias

Mas sempre é sobre sonhos e memórias 

Memórias andam devagar feito caminhos da eterna felicidade

Crônicas de uma nordestina viagem

Em pedais de tempos invisíveis

Antes que me falem da ingratidão 

Meu pseudônimo quer falar sobre

Barganhar meus retalhos a escorrer pelos dedos

Estes retalhos ainda me vestem

E trás consigo o próprio enredo

Sobre a última viagem do passageiro 78

Viajei sobre Oeste da Antiga Mesopotâmia 

Também sobre Leste do Antigo Egito

O mercante do ouro líquido

E nuvens de jasmim

Não tragam cadeira ou água sequer 

Nada traduz essa farta viagem

Da última ceia ao novo bourbon

E folhas de uma baobá moribunda

Ainda, sim, não é sobre o mensageiro

Mas (im)pulsos da (in)sanidade

De graça e drogas, todos se servem 

Cedo ou tarde, a vida vire caverna 

Talvez a droga mais cara dessa farmácia 

Sim, de sonhos e memórias

Podia ser diferente?

Eis o meu testemunho!

Quiçá a Florbela queira desabafar 

Sobre Lobo e Pessoa a plenos pulmões

Certeza que não seria grandes mistérios

Pois a poetisa suplicaria a loucura que ressuscite coragem

Trazendo chamas aos olhos dos que ainda temem viver

E que esse fedor não lhe roube o nariz

Nem mate seu espírito guerreiro.

  • Autor: Dimar Monteiro Sanca (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de outubro de 2026 18:57
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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