Passageiro 78
Nem tudo é sobre sonhos e memórias
Mas sempre é sobre sonhos e memórias
Memórias andam devagar feito caminhos da eterna felicidade
Crônicas de uma nordestina viagem
Em pedais de tempos invisíveis
Antes que me falem da ingratidão
Meu pseudônimo quer falar sobre
Barganhar meus retalhos a escorrer pelos dedos
Estes retalhos ainda me vestem
E trás consigo o próprio enredo
Sobre a última viagem do passageiro 78
Viajei sobre Oeste da Antiga Mesopotâmia
Também sobre Leste do Antigo Egito
O mercante do ouro líquido
E nuvens de jasmim
Não tragam cadeira ou água sequer
Nada traduz essa farta viagem
Da última ceia ao novo bourbon
E folhas de uma baobá moribunda
Ainda, sim, não é sobre o mensageiro
Mas (im)pulsos da (in)sanidade
De graça e drogas, todos se servem
Cedo ou tarde, a vida vire caverna
Talvez a droga mais cara dessa farmácia
Sim, de sonhos e memórias
Podia ser diferente?
Eis o meu testemunho!
Quiçá a Florbela queira desabafar
Sobre Lobo e Pessoa a plenos pulmões
Certeza que não seria grandes mistérios
Pois a poetisa suplicaria a loucura que ressuscite coragem
Trazendo chamas aos olhos dos que ainda temem viver
E que esse fedor não lhe roube o nariz
Nem mate seu espírito guerreiro.