Somos artistas e pronto.
Estamos inaugurados,
Repletos de ensaios, estreias,
Dos auditórios vazios
Às potenciais plateias.
Aplausos nos envaidecem,
Mas são sorrisos e lágrimas
Que nos sustentam, nutrem,
Alimentando
O que há de mais subjetivo
E paradoxalmente concreto.
Apesar de intangíveis, inacabados,
Antagônicos, completos,
Plenamente palpáveis
São nossos sonhos, seletos.
Dos ritos que produzimos,
Aos quais nos habituamos,
Fazemos de todos os cantos palco.
As quinas revelam-se drásticas,
Pelos contos ferozes,
Encantadores e magistrais,
Perspectivas dramáticas,
Acolhedoras, marginais.
Onde houverem cortinas ou não,
Sempre se fará presente,
Nossa reverência
À suprema expressão imortal.
Considerando o que foi, é, será,
Em nossa expressividade,
Movimento atemporal.
Somos artistas e ponto.
02/12/22
[Michel F.M. - Revolesia]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 4 de outubro de 2026 06:05
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Fumegantes no Firmamento" é uma profunda metalinguagem sobre o fazer artístico e a identidade do artista. Ele funciona como um manifesto lírico que defende a permanência, a resiliência e a dualidade da arte. Abaixo, apresento uma análise detalhada estruturada pelos principais eixos temáticos da obra: 1. A Identidade e a Autoafirmação do Artista - O poema abre e fecha com uma afirmação categórica: "Somos artistas e ponto." Essa repetição funciona como um selo de orgulho e determinação. • Início de carreira vs. Projeção: O trecho "Estamos inaugurados, / Repletos de ensaios, estreias" mostra o frescor do começo, enquanto a transição "Dos auditórios vazios / Às potenciais plateias" ilustra a persistência necessária para quem vive da arte, enfrentando a solidão do início em busca do reconhecimento. 2. O Combustível da Arte: O Público e a Emoção - O eu lírico estabelece uma diferença clara entre o ego e o propósito real da criação: • Vaidade vs. Conexão: Os aplausos envaidecem, mas o que realmente sustenta o artista são os "sorrisos e lágrimas". A arte se alimenta da reação humana genuína. • O Paradoxo da Criação: O poema joga com antíteses ao dizer que esses sentimentos alimentam o que há de "mais subjetivo / E paradoxalmente concreto". A arte nasce no campo das ideias e emoções (subjetivo), mas se materializa e causa impacto real na vida das pessoas (concreto). 3. A Dualidade e os Contrastes da Existência Artística - Na quarta e na sexta estrofes, o autor utiliza uma sequência de adjetivos opostos para traduzir a complexidade do ser artista: • Intangíveis / inacabados versus completos / palpáveis. • Os sonhos são tratados como a única certeza sólida do artista ("Plenamente palpáveis / São nossos sonhos"), mostrando que o mundo idealizado da criação é, para eles, mais real do que o mundo físico. • A dinâmica das narrativas é descrita através de contrastes ricos: as perspectivas são "dramáticas, / Acolhedoras, marginais". A arte abrange tanto a dor quanto o acolhimento, o centro e a periferia. 4. A Universalidade do Palco e a Sacralidade do Ofício - O poema expande o conceito físico de teatro para a própria vida: • O Espaço: "Fazemos de todos os cantos palco." Não importa se há uma estrutura física ou não ("Onde houverem cortinas ou não"), a performance artística ressignifica o espaço ao redor. • O Ritual: O termo "reverência" evoca um caráter quase sagrado ou religioso voltado para a "suprema expressão imortal". O artista atua como um mediador dessa força maior. 5. Atemporalidade (O Passado, o Presente e o Futuro) - A penúltima estofre sintetiza a imortalidade da arte: "Considerando o que foi, é, será". O movimento artístico é classificado como atemporal. As técnicas, as tecnologias e as épocas mudam, mas a necessidade humana de expressar-se e de se emocionar permanece idêntica através dos séculos. Resumo da Obra "Fumegantes no Firmamento" celebra o artista como um ser incandescente (daí o "fumegantes") que busca seu lugar no universo ("firmamento"). É um texto que valida o sofrimento, o ensaio e o erro, mas coloca a arte em um patamar de vitória espiritual e permanência histórica.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Apegaua
- Em coleções: Revolesia (Volume Único).

Offline)
Comentários1
Estava lendo o seu mapa, que mais me pareceu coordenadas de como se ir, Do Brasil ao infinito sem escalas.
Deitado na rede, pitando um cigarro de palha, quando olhei para o Céu e o que vi, deixou me assustado, negras nuvens a se principiar.
Preocupado com as jaqueiras carregadas de jacas novas.
Olhei para o compadre enchendo a cara de pinga e falei.
Compadre a atmosfera esta carregada..
E ele Como se fosse um DRUMON, tomou mais um bom trago da pinga e respondeu..
_ Pois não e compadre esse ano vai dar jaca a matar com pau.
Pigarreei, tirando uma baforada do de palha e não entendi nada que o compadre falou,
Acontece, só com matutos...
Sr, Apegaua
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