Somos artistas e pronto.
Estamos inaugurados,
Repletos de ensaios, estreias,
Dos auditórios vazios
Às potenciais plateias.
Aplausos nos envaidecem,
Mas são sorrisos e lágrimas
Que nos sustentam, nutrem,
Alimentando
O que há de mais subjetivo
E paradoxalmente concreto.
Apesar de intangíveis, inacabados,
Antagônicos, completos,
Plenamente palpáveis
São nossos sonhos, seletos.
Dos ritos que produzimos,
Aos quais nos habituamos,
Fazemos de todos os cantos palco.
As quinas revelam-se drásticas,
Pelos contos ferozes,
Encantadores e magistrais,
Perspectivas dramáticas,
Acolhedoras, marginais.
Onde houverem cortinas ou não,
Sempre se fará presente,
Nossa reverência
À suprema expressão imortal.
Considerando o que foi, é, será,
Em nossa expressividade,
Movimento atemporal.
Somos artistas e ponto.
02/12/22
[Michel F.M. - Revolesia]