Quando o pouco era tudo sobre a nossa mesa,
tu repartias o pão, o sono e os dias.
Enquanto a casa, em silêncio, dormia,
costuravas, na sombra, a nossa leveza.
No teu ombro dorido escorava-se o mundo,
mas tua voz transformava o medo em calma;
do teu silêncio erguias um teto profundo,
tecido de afeto, ausente de palmas.
Hoje entendo o peso que antes não via:
quantas dores calaste sem nada dizer.
A tristeza embebia o teu anoitecer,
mas sorrias ao sol que à porta nascia.
E escuto, mãe, com tristeza serena,
o que só o tempo nos diz, devagar:
que o amor é alguém a própria vida gastar
para que a dor do outro pareça pequena.
Por isso, mesmo que tudo em mim anoiteça
e eu já não saiba por onde seguir,
hei de buscar, no fundo do teu existir,
minha primeira luz, que guardas acesa.
Vinícius de Souza
-
Autor:
Vinicius (
Offline) - Publicado: 2 de outubro de 2026 16:47
- Comentário do autor sobre o poema: Poema dedicado à minha mãe - Regina - por ocasião dos dia das Mães de 2026.
- Categoria: Ocasião especial
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.