A Constatação do Óbvio

Michel F.M.

Com o tempo você aprende
Que só deve fazer
Duas coisas na vida,

Aquilo que te dá prazer
E satisfação,
Em primeiro lugar.

E aquilo que você
É obrigado a fazer.

Se não tiver a ver com 
Prazer e obrigação,
Não faça.

Exceto se for justo,
Pois a única força
Que vence o prazeroso
E o obrigatório,

É a Justiça;
No sentido mais
Profundo e fundamental
Da palavra;

Implacável, universal
e incorruptível.

05/11/22
[Michel F.M. - Revolesia]

  • Autor: Michel F.M. (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de outubro de 2026 06:34
  • Comentário do autor sobre o poema: O poema "A Constatação do Óbvio" apresenta uma reflexão filosófica e pragmática sobre a tomada de decisões, a gestão do tempo e a hierarquia dos valores humanos. Com uma linguagem direta e despida de ornamentos excessivos, o texto constrói um guia de conduta existencial focado em três pilares fundamentais: o prazer, a obrigação e a justiça. Abaixo, apresento uma análise detalhada da estrutura e do significado do poema: 1. A Estrutura Pragmática: Prazer vs. Obrigação - Nas primeiras estrofes, o eu lírico propõe uma simplificação drástica das ações humanas, reduzindo o que "vale a pena" ser feito a apenas duas categorias: • O Hedonismo/Satisfação Pessoal: Aquilo que traz felicidade e retorno emocional imediato ("Aquilo que te dá prazer / E satisfação"). O poema coloca isso como prioridade absoluta ("Em primeiro lugar"). • O Pragmatismo/Dever: O reconhecimento de que a vida em sociedade exige responsabilidades inevitáveis ("E aquilo que você / É obrigado a fazer"). A fusão dessas duas esferas cria um filtro para eliminar o supérfluo, a procrastinação destrutiva e as pressões sociais vazias. A ordem é clara: se uma ação não traz alegria e nem é uma necessidade real, ela deve ser descartada ("Não faça"). 2. A Exceção Soberana: A Justiça - O grande ponto de virada (a antítese) ocorre a partir da quinta estrofe com a introdução da palavra "Exceto". O eu lírico quebra a própria regra binária para introduzir um valor superior: a Justiça. O poema argumenta que a moralidade e o senso de dever ético estão acima do egoísmo (prazer) e até mesmo da coação externa ou rotineira (obrigação). 3. A Caracterização da Justiça - Na reta final, o tom do poema deixa de ser meramente conselhista e assume um caráter quase solene e universal para descrever a Justiça. Ela é apresentada como a força máxima por ser: • Implacável: Não cede a pressões ou conveniências momentâneas. • Universal: Aplica-se a todos, independentemente do contexto. • Incorruptível: Não se deixa contaminar por interesses pessoais ou pelo desejo de prazer. Conclusão O título "A Constatação do Óbvio" carrega uma sutil ironia. Embora a lógica pareça simples e "óbvia" no papel, o poema reconhece que aprender a priorizar o que nos faz bem, cumprir apenas o que é estritamente necessário e curvar-se diante da justiça profunda é, na verdade, um aprendizado que exige o passar do tempo ("Com o tempo você aprende"). É um manifesto em defesa de uma vida com propósito, integridade e menos ruído.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 11
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Samara A. Ferreira
  • Em coleções: Revolesia (Volume Único).


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