Nuvens de Aveiro

Dimar Monteiro Sanca

Nuvens de Aveiro

Antes que você me pergunte
a vida me deu tudo o que devia
Sim, memórias e sonhos
já não são diamantes do tempo
Talvez sejam diamantes da fé
o tempo quebrou e sumiu

Ande, caminhe e voe
e contemple o horizonte dessa alvorada
Ainda tem muito a dizer
sob a estrada de vento
e o pôr do Sol
Traduz essa fábula cínica
de olhos marejados
Oh tempo esfacelado!

O tempo se perdeu no tempo
Sim, há tempo
Talvez por tempo que devia
ou pelo resumo do tempo
Ainda, sim, o tempo fez o tempo
entender que o tempo é o mestre

É Deus sendo gerado por essa infâmia?
Ainda, sim, caminho, caminhando
e a fé debochando do pobre e da pobreza?
Nem milagre entende Jesus
Ora senhor cirurgião-chefe
eis a estranheza do momento, do novo
Do novo? Talvez do outro
Suspiro do prazer e da decência

Paz enfartou enquanto sonhos assistem
Talvez o Picasso contemple
Beethoven tente compor
e o Einstein seja poeta de rua
Pessoa fale de pessoas a pessoas
sobre as valências do agora
Sim, ande, caminhe e voe
o ninho é logo ali

 

 

 

 

  • Autor: Dimar Monteiro Sanca (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de setembro de 2026 08:35
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
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