Dimar Monteiro Sanca

Nuvens de Aveiro

Nuvens de Aveiro

Antes que você me pergunte
A vida me deu tudo o que devia
Sim, sonhos e memórias
Já não são diamantes do tempo
Talvez sejam diamantes da fé
O tempo quebrou e sumiu

Ande, caminhe e voe
Contemple o horizonte dessa alvorada
Ainda tem muito a dizer
Sob a estrada de vento
Pôr do Sol
Traduz essa cínica fábula
De olhos marejados
Oh tempo esfacelado!

O tempo se perdeu no tempo
Sim, há tempo
Talvez por tempo que devia
Ou pelo resumo do tempo
Ainda, sim, o tempo fez o tempo
Entender que o tempo é o mestre

É Deus sendo gerado por essa infâmia?
Ainda, sim, caminho, caminhando
E a fé debochando do pobre e da pobreza?
Nem milagre entende Jesus
Ora senhor cirurgião-chefe
Eis a estranheza do momento, do novo
Do novo? Talvez do outro
Suspiro do prazer e da decência

Paz enfartou enquanto sonhos assistem
Talvez o Picasso contemple
Beethoven tente compor
E o Einstein seja poeta de rua
Pessoa fale de pessoas a pessoas
Sobre as valências do agora
Sim, ande, caminhe e voe
O ninho é logo ali