Especialista em Constrangimento

Michel F.M.


Não pense que tenho algo
Relevante a dizer.
Não pense que alguém tem.
Sou só um poeta qualquer,
Mão-de-obra barata do precariado
[inadequado e descartável],
Que torce o ócio, forçando até o limite,
Fazendo dele respingarem versos.
Mas o frenesi tem sempre
Mais a oferecer,
Do que o tédio da ociosidade.
Pena que o frenético
Não seja optativo, fazendo
Da balbúrdia nosso estado natural.
Sem pretensão alguma
De explicação,
Deixo que os equívocos
Se acumulem.
Fiz do incompreensível
Minha profissão
E aperfeiçoo-me
Em todas ocasiões que posso.
Escolho permanecer em silêncio,
Até que a ausência de respostas
Se torne insuportável.
Enquanto alguns insistem
Em dizer algo sobre tudo,
Outros nada tendo a dizer
À todos confundem,
Com tua chocante invisibilidade.
[Michel F.M.]


No momento que me tocou
com versos calientes
tudo mudou bagunçou minha cabeça
Passei naquele instante
ver a vida de uma forma diferente
o que parecia ser certo
passou a ser errado e o que
parecia ser errado
passou a ser certo
tudo foi um encantamento
Me contrangi por um instante
mas logo me recompus
Me deixei levar pelos encantos
Levou um pouco de mim
deixou um pouco de si
se tornando alguém especial
para o meu coração


Não me desarme ainda,
de soluções imediaticas
Teremos que nos especializar
Oficialmente para todo desserviço acabar
Em todas medidas perfeitas
Pedras pequenas , quem as possui não deseja abandonar,
Imagine de quem possuem as graúdas , única, exclusivamente
Na cabeça de quem quer para a vida iluminar, acertar com dor
Protejam se mais ainda das pedras ! Oh pecadores
Para que luz ?, se querem trevas!
Mas a luz não se apaga pelo capricho do cego,
Nem recua diante do peito que escolheu a escuridão.
Quem carrega a chama aceita o desapego,
Pois sabe que iluminar é, também, solidão.
Eles guardam suas pedras, fecham as mãos com força,
Temendo o brilho que expõe a própria ilusão.
Preferem o abismo onde a verdade não os força
A enxergar o tamanho da própria omissão.
Insistem no rascunho, no remendo, no detalhe,
Enquanto o tempo exige a obra por inteiro.
Que venha a tempestade, que o falso castelo falhe,
Pois só quem encara o escuro descobre o que é verdadeiro.
Se o mundo pede sombras, que a nossa mente guie
O traço cirúrgico da nossa especialização.
Que a lucidez resista, persista e não recue,
Mesmo quando as trevas parecerem multidão.
[CORASSIS]


Não, nada pensei.
Seus versos também nada julguei.
Mas por que o silêncio?
Palavras não dizem nada?
Se retiver tal tensão,
Será esmagado pela pressão.
Como fugir da explicação,
Se o coração pede libertação?
Oh! O que viste,
A falar com tal desencanto?
Será esse teu canto,
Ou pranto, talvez
Um pouco de sensatez.
Nalva Melo(ES.M)


SOU ESPCIALISTA EM PASSAR VERGONHA
NEM PRECISO FAZER MUITO
PRAS MULHERES SOU SÒ UM PAMONHA
E NEM ENTREI NO CIRCUITO
SÒ ME RESTA BATER UMA BRONHA
ESSE É O MEU INTUITO


Despoema de Despoeta
A sapiência de um poema tresloucado,
transa com a balbúrdia do ócio.
Talvez não tenha deixado recado,
no frenesi que assola esse negócio.
Licença poética: o mergulho do boçal.
Quem deveria saber a razão dos discursos?
Não sinto orgulho por esse escambal,
no oceano de ideias e percursos.
O poema aqui já não cabe.
Diante de tamanho desplante
— de repercussão geral —, sabe:
a poesia inspira, expirou o instante.
Processou-se no silêncio de um segundo,
O que constrange o pensamento frenético.
Condena-se o despoeta. Fim do mundo.
Aquele que não tem pecado, não escreva…
- Jorge E. Leal


Nos silêncios que tecem o presente,
O tempo flui qual rio sem margens,
Passa o homem, a sombra e a patente,
Entre breves e ternas paisagens.
O que busca a alma no escuro,
Senão ver o afeto aceso?
Caminhamos ao som do futuro,
Pelo fio da dúvida preso.
A memória guarda no barro
A pegada do passo que foi,
Enquanto o peito, em seu desgarro,
Canta a mágoa que já não dói.
Quem mede o peso de um pensamento?
Quem desvenda a cor do infinito?
Tudo passa num só momento,
Tudo se esvai no mesmo grito.
Somos poeira que sonha e pensa,
Arcabouço de luz e de dor,
Na vastidão de uma noite densa,
Procurando a chama do amor.
Olho o espelho e vejo um mistério:
O rosto muda, o olhar permanece.
O que há de eterno no império
De uma vida que tão cedo esquece?
A folha cai sem pedir licença,
O vento sopra sem dar explicação;
A existência é só a presença
De um mistério no coração.
Pensar é sentir a própria finitude,
É saborear o instante efêmero,
Na busca constante da virtude,
Frente ao cosmo sereno e severo.
Se nada fica além do que sentimos,
Que seja o afeto a nossa verdade,
Pois no fundo dos caminhos que seguimos,
Só nos resta a própria humanidade.
E assim seguimos, passos na névoa,
Entre o mistério e a contemplação,
Pois onde o tempo a vida leva,
Mora a eterna indagação.
Felicity_poeta


Se o circuito falha e a vergonha é certa,
respondo ao silêncio com o verso cru.
Entre a lucidez e a alma desperta,
mostro o que sou sem disfarçar tu.
Se a poesia expira e o mundo condena,
eu assumo a culpa e a incoerência plena.
Ficou com um ritmo forte e uma ótima dose de personalidade!